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terça-feira, 3 de julho de 2018

Espiritualidade Estereotipada e Doutrinatória: Liberte-se!


Por muito tempo acreditei que o propósito da vida era se libertar de tudo isso, por muito tempo acreditei que eu era alguém importante, especial e que eu precisava "salvar o mundo", por quê não eu? Me inspirei em mestres e dediquei anos a aprender sobre espiritualidade, viver espiritualidade, abandonar hábitos e coisas consideradas "mundanas" e assim fui entrando em uma "caixa" onde ficavam os estereótipos sobre espiritualidade, sem perceber que aquilo TAMBÉM era uma caixa e que aquilo TAMBÉM me limitava.

Cultivei o sonho de abrir um centro espiritual e muitas vezes cheguei perto, mas nunca concluí a "missão", nesse meio tempo eu tive problemas financeiros, problemas familiares, poucos amigos e também depressão, ansiedade e até pânico. Por que será que aconteceu isso comigo? Logo eu, tão "espiritualizada"? Porque quanto mais eu me aproximava desse conceito social do que é ser uma pessoa espiritualizada, mais de mim eu me distanciava, daquela coisa que nos torna especiais que é a originalidade, o que temos de único, nossa "digital", aquele algo que te torna indivíduo.

Deixei de ouvir as músicas que eu gostava, de ir em lugares que eu gostava, de usar as roupas que eu gostava, deixei toda a cultura que eu possuía se reduzir a uma "cultura espiritualizada".

Me fragmentei.

Eu não sei ao certo quando foi que eu acordei, mas agora eu consigo ver com clareza, a minha primeira missão é comigo, é algo como relembrar da infância, antes dos filtros sociais serem "introjetados" em nossas mentes, se há algo a se libertar é dessa ditadura que te diz como você deve ser, não importa de onde ela venha ou o quão boa ela pareça, toda doutrinação te retalha em pedaços, mas a gente não vê...

Ayahuasca deveria ser algo para nos libertar, assim como outras Plantas de Poder, mas colocamos nela nossas músicas que dizem o que fazer e como devemos ser, colocamos nela rituais rígidos que limitam a sua atuação, e pior, a utilizamos como meio de introjetar mais fundo no seu inconsciente o que nós humanos acreditamos ser o melhor para você, ignorando toda a sua individualidade. É claro que de alguma forma isto salvou algumas pessoas de alguma desgraça maior como quando sedamos alguém em estado de loucura para que ela não se machuque, aí a tratamos como criança, mas uma hora ela precisa acordar, lidar com suas próprias sombras, uma horas a criança precisa crescer, tomar as rédeas da própria vida...

Eu sigo fazendo um caminho de volta, de retorno a mim mesma, mais do que espiritual, um caminho de autoconhecimento. Não pense que estará se conhecendo enquanto ouve como você deve ser e tenta se enquadrar naquilo. Aquilo que "devemos" ser, que é quem somos, em essência, não precisa de  esforço, é só ser.

Não existe cura sem liberdade.

Nasci na Terra, com todas as suas belezas, nasci humana com minhas potencialidades e talentos, isso é temporário, então em vez de tentar sair daqui não seria mais sábio aproveitar até o último minuto?

A Terra não é uma prisão, a única prisão que existe é mental, tudo é Sagrado, tudo é Divino. Você não precisa sair de onde está para se tornar espiritualizado, você só precisa espiritualizar tudo o que você já é, perceber a beleza do seu corpo, da sua natureza, dos seus talentos, da sua voz e de tudo o que você cria, de tudo o que faz.

Estar presente, conectado, inteiro e feliz, isso é espiritualidade, todo o restante é dispensável.

Seja você mesmo, é isso o que mais importa, é só isso o que a Deusa (ou Deus, ou Universo, ou como queira chamar) quer de nós.

A natureza selvagem só é perfeita porque ela não se pergunta o que deve fazer, ela apenas vive.

Apenas viva.

quinta-feira, 1 de março de 2018

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Visão em Teia - A Lei e o Karma no Xamanismo


O Xamanismo em geral é regido pelo que chamamos de Leis Naturais, que são as leis da própria natureza, um exemplo clássico seria "o que você planta é o que você colhe", basicamente estas leis são compreendidas por pura observância do meio natural e aplica-se a nossa vida por associação compreendendo que somos parte do meio. Mas se existe uma lei, uma regra que rege todo o processo ritualístico, magístico, espiritual e de crenças do Xamanismo esta é a Visão em Teia.

A Visão em Teia pode ser caracterizada em termos mais científicos e acadêmicos como a própria Ecologia ou a Consciência Ecológica, é uma crença comum entre a maioria das tradições nativas e também neo-xamânicas.
Esta visão consiste na ideia de que toda a forma de vida, toda a existência, seja ela material ou espiritual coexiste numa "teia" de interdependência e interligação, onde cada indivíduo, seja ele um animal, um humano ou até mesmo uma célula, possui sua função dentro desta teia que funciona como uma engrenagem que mantém toda a vida existindo em harmonia. 
O grande propósito da prática do Xamanismo, o próprio autoconhecimento, seria então encontrar o seu lugar dentro desta teia, encontrar o seu lugar na existência, que se define pelo seu dom, sua missão, o que nas tradições hindus se chama de Dharma.
Esse dom ou missão é algo que você faz que colabora com a existência de todos os outros seres viventes de alguma forma, eu costumo dizer que nossos dons não são nossos, mas são da comunidade, do Universo, são qualidades especiais e únicas a serem ofertadas aos nossos irmãos, então no modo de pensar xamânico não há egoísmo, pois tudo o que temos é para o todo, e por consequência o é também para nós mesmos.


Compreendendo a teia fica fácil compreender a lógica da ação e reação, lei que rege a tudo no Universo e encontramos de variadas formas de crenças no meio espiritualista, como a Lei Tríplice difundida pela Wicca e outras formas de neo-paganismo, onde acredita-se que tudo aquilo que fizermos de bom ou de mal retornará para nós três vezes mais; ou como o Karma para o Hinduísmo que tem uma aplicação e um conceito muito mais complexos do que o propagado com o mesmo nome pelo Espiritismo Kardecista e demais vertentes de esoterismo, inclusive variando a sua interpretação até mesmo entre as vertentes do hinduísmo, mas basicamente a palavra Karma significa "ação", não vou abordar profundamente porque hoje não é este conceito que nos interessa aqui.
Então voltando à Visão em Teia do Xamanismo, imagine uma teia bem grande que pode ser tocada por você em cada uma de suas linhas, perceba que se você tocar em uma única linha, como quem toca na corda de um violão, por exemplo, esse toque irá reverberar por toda a teia, pois todas as linhas se entrecruzam ao longo da teia toda, essa seria então a visão do "karma" ou "lei do retorno" para o Xamanismo.
Tudo o que fizer a si mesmo ou ao meio, mesmo nas suas mais ínfimas partes reverberá pelo todo, se compreender esse conceito perceberá que o retorno pode ser muito maior do que o tríplice, porque toda ação vibra em toda a existência, em todas as dimensões e por toda forma de vida.

Existe uma crença antiga que diz para nunca se retirar um objeto da natureza sem um propósito, à toa, pois até mesmo uma pedra que é tirada de um lago pode gerar um pequeno impacto para uma pequena comunidade de microorganismos que vive ali nas proximidades, e indo além, às vezes um movimento pequeno como jogar uma pedra no oceano produz ondas que irão se propagar para além do que poderíamos ver ou medir a sua proporção.

Esta é a visão mais "científica" da coisa, mas se acreditar em elementais e outras formas de existência que habitam a natureza, perceberá que o impacto causado é sempre maior do que o que se imagina, só uma única árvore pode abrigar centenas de vidas, materiais e também elementais. Longe de uma verdade absoluta este é um conceito para ser vivido e sentido e não apenas assimilado pela mente racional, através da comunhão com as Plantas de Poder e outras formas de práticas Xamânicas podemos encontrar o nosso lugar na teia e compreender melhor as leis que nos regem, que são muito mais simples que as leis humanas.

A Visão em Teia é simbolizada dentro do Xamanismo por todas as formas de tecituras, pelas mandalas, pelos "filtros-dos-sonhos" e pela medicina da Aranha como Animal de Poder.


*É importante lembrar que já existe uma teoria científica chamada de "Teoria de Gaia" que pressupõe que a o planeta Terra seja um organismo vivo e que nós sejamos seres interdependentes da mesma.

*Uma curiosidade é que no Equador em 2008 foi reconhecida pela Constituição do país a Pachamama (Mãe Terra) como sujeito de direitos pela primeira vez na história.


terça-feira, 26 de setembro de 2017

A Bruxaria na Minha Vida

Imagem: Último encontro do Círculo de Mulheres Flores
de Yurema em São Paulo, por Rebecca Becker Fotografia.
É incrível a dificuldade que a gente tem de se reconhecer Bruxa. É mais do que se assumir publicamente, está num nível mais profundo onde você se percebe ou se compreende uma Bruxa.

A Bruxaria surgiu na minha vida, desta forma conceituada, tá? Porque eu já vivia em um mundo mágico desde que me conheço por gente, vendo animais selvagens que ninguém mais via (como onças) pela janela do carro quando viajava e passava pela Serra, apertando os olhos enquanto olhava para o mar, chamando e procurando atentamente por sereias, conversando com duendes, e vendo vultos escuros nas paredes (eu sempre tive medo de fantasmas)... Mas a Bruxaria mesmo surgiu na minha vida com este nome quando eu tinha entre 11 e 13 anos, eu mal consigo te dizer como isso aconteceu, sei que eu amava ver filmes de bruxas e achava que aquilo era real e ficava aguardando o dia em que eu iria “descobrir” que eu era uma bruxa também, nessa época eu já comprava revistas de signos e anjos e já colecionava bibelôs de anjinhos, fadas e pirâmides, tudo o que parecia místico eu queria, então surgiu uma revistinha clássica para o público infantil chamada “Witch” e lá eu soube que existiam pessoas que praticavam mesmo a Bruxaria, e que inclusive existia uma escola de magia, mas que infelizmente eu não poderia ir, pois era distante e minha família não tinha dinheiro para me pagar mais uma “escola”, além de acharem que tudo isso era uma fase e uma fantasia infantil.

Nessa mesma época tivemos o nosso primeiro computador em casa, e logo a internet, e ali eu procurava sites sobre Bruxaria e às vezes acessava salas de “bate-papo”, mesmo sendo menor de idade. Fiz minha mãe me levar até uma biblioteca perto de casa e consegui uns livros emprestados sobre Bruxaria antiga e cristais, até tentei fabricar cristais com açúcar, mas não deu certo para minha frustração infantil... E, olha, eu era tão séria que me lembro que tinha deixado certa vez um cristal de quartzo (pedra considerada do meu signo, Leão) numa concha com água e sal grosso tomando banho de sol e lua para energizar e meu pai para brincar comigo colocou esse cristal dentro da boca e eu até chorei de raiva, me sentia desrespeitada, mesmo sendo uma criança.

Eu tinha uma vizinha do lado de casa, era a minha melhor amiga, e eu acabei trazendo essas ideias para ela e juntas nós tentamos fazer um feitiço uma vez de um desses livros da biblioteca, que faria um papel sumir (era um teste apenas), tínhamos tanto medo que rezamos um “Pai-Nosso” antes e lemos o encantamento com uma Bíblia aberta do nosso lado... Nada aconteceu... E nada acontecia, nunca...

No meu aniversário de 13 anos ganhei de presente de algum familiar (porque eu tinha pedido, claro) o meu primeiro livro de Bruxaria, “Bruxaria Natural - Uma Escolade Magia” da Tânia Gori, a fundadora daquela escola de magia divulgada na revistinha Witch. Ali naquele livro as coisas ficavam muito mais claras e reais, mas até um pouco sem graça para uma criança que queria ver coisas fantásticas e sobrenaturais, a Bruxaria parecia tão “natural”, ironicamente... Claro que eu tentei montar um altar, e eu o tive por alguns anos, fiz um “Livro das Sombras” (Grimório), eu me lembro de ter Iemanjá no meu altar, era a deusa mais conhecida para mim naquele tempo, mas nenhum dos meus feitiços era efetivo, talvez por medo, por imaturidade, não sei ao certo, sei que meus pais me mandavam esconder as coisas do altar numa gaveta quando recebíamos visitas e que ele sempre tinha que ser fora de casa no quintal, minha família era de criação Católica não praticante, mas frequentavam Centros Espíritas Kardecistas, que eu ia vez ou outra contrariada, mas eu sempre soube que meu avô por parte de pai benzia e anos depois soube que minha bisavó por parte de mãe também.

Como meus feitiços nunca davam certo, mesmo comprando outros livros, como o Almanaque Wicca que saía nas bancas de jornais, entre outros que eu pegava referências na internet e nesses mesmos livros, eu fui me afastando da Bruxaria quando fui ficando adolescente, sem nunca perder os episódios de visões de vultos, espíritos e sustos durante a noite.

Quando eu já tinha os meus 19 anos e estava naquela correria de faculdade, emprego, vida social e relacionamentos eu tive uma crise de ansiedade depressiva (segundo um psiquiatra), eu comecei a sentir tristezas sem razões aparentes, depois comecei a sentir medo de dormir, medo de escuro, medo de sair sozinha, era terrível, quando meus pais já não sabiam mais o quê fazer comigo me levaram para o hospital, primeiro num clínico geral e em seguida num psiquiatra, claro que todos os problemas que eu estava passando que eram coisas normais da passagem da vida de adolescente para a vida adulta foram classificados como o motivo da minha crise, e me foi receitado um remédio tarja preta que eu não me lembro o nome agora, eu deveria toma-lo por exatamente 20 dias e retornar ao psiquiatra no final desse período. Quando comecei a tomar só me sentia uma ameba, o remédio me ajudou a dormir, e eu dormia muito, como uma morta e continuava sentindo as mesmas coisas ruins de sempre, além de tudo isso eu também tinha visões o tempo todo, coisa que eu não quis relatar ao psiquiatra e nem aos meus pais, por medo de acharem que eu estava enlouquecendo, eu fechava os olhos e via coisas sem sentido, buracos, larvas e outras coisas escuras, era horrível, com isto eu percebi que eu sempre tinha algumas visões de vez em quando, mais quando estava próxima do sono, mas nunca entendia, via pessoas, cenas, coisas que não sei de onde vinham...

No 12º dia do tratamento com o tarja-preta eu quis parar, parei por minha conta e até hoje nunca voltei ao psiquiatra, resolvi retomar meus estudos de Bruxaria, pensava que a Deusa poderia me ajudar, e retomei, mas continuava não sentindo as coisas como eu gostaria de sentir, com profundidade, aos poucos eu fui melhorando da crise, e logo deixei tudo de lado mais uma vez, e minhas visões pararam quase que em definitivo por alguns anos, eu rezava muito para Deus fazer isso parar seja o que isso fosse, e enfim, parou.

Quando eu cheguei mais ou menos nos 22 anos dessa vez a crise foi familiar e não depressiva, houveram muitas brigas entre os meus pais e me envolvendo também de alguma forma e eu me senti no fundo do poço, sem saber onde recorrer, eu me trancava no banheiro e lia “O Evangelho Segundo o Espiritismo” em voz alta algumas vezes enquanto as pessoas se encontravam aos berros e choros. Quando as coisas começaram a se acalmar eu tinha uma ferida muito grande na alma, e comecei a fazer psicoterapia e a frequentar um outro Centro Espírita Kardecista, e nesse meio tempo uma pessoa me falou sobre Ayahuasca, eu já tinha ouvido falar do “Chá do Santo Daime”, mas não fazia ideia de que isso era algo bom, eu já pesquisava enteógenos naturais porque frequentei muitas raves, e mesmo não chegando a experimentar drogas eu gostava da sensação de estar na mata dançando e aquilo me causava certa expansão de consciência, além de todo o contexto tribal hindu que se acredita ter dado origem às raves.

Comecei então a frequentar um Templo Xamânico, no início eu só assistia palestras e às vezes tinham consultas e passes com entidades, pretos-velhos e caboclos, como na Umbanda, que eu ainda não conhecia, achei tudo muito intrigante, e nesse lugar eu sentia as energias, sentia comoção, coisas que nunca senti em Centros Kardecistas. Logo participei do meu primeiro ritual com Ayahuasca nesse lugar, eles possuem uma “ordem iniciática” somente de mulheres, e embora seja tudo bem “indígena”, elas são devotas da deusa Ísis, e ali eu pude sentir a espiritualidade como eu sempre havia ansiado desde a infância, claro que só havia se aberto uma porta e eu ainda havia muito por explorar, mas eu senti um forte desejo de fazer parte daquilo, uma sensação de pertencimento, de reencontro.

Infelizmente, ou felizmente algum tempo depois fui percebendo que o local que eu frequentava era muito comercial, e que você só fazia amigos se você tivesse dinheiro, mas em vez de abandonar este caminho eu fui conhecendo outros Centros que trabalhavam com a Ayahuasca e nesses mais de 4 anos de consagrações, eu vivi muitas coisas incríveis, processos de dor e de primozia extrema como nunca poderia imaginar. Como muitos lugares que frequentei eram de orientação Universalista acabei conhecendo também outras religiões, como o Hare Krishna, no qual recebi iniciação apesar de hoje não me considerar desta religião, e assim fui me abrindo para muitas outras linhas, também desenvolvi a mediunidade na Umbanda por um ano, mas também acabei me afastando, as religiões institucionalizadas sempre acabavam me afastando, e o mesmo aconteceu com o Santo Daime quando conheci essa vertente.

Nessa peregrinação espiritual ardente e frenética que eu vivi nesses 4 anos procurando, na verdade, por mim mesma de alguma forma, eu acabei conhecendo o Sagrado Feminino e os Círculos de Mulheres, na verdade essa minha primeira consagração de Ayahuasca era um ritual do Sagrado Feminino já, mas essa parte da espiritualidade só foi se aprofundar mesmo nas vivências de Círculos de Mulheres que participei mais adiante, há pouco mais de 2 anos atrás. Foi quando comecei a trabalhar o sangue menstrual ritualisticamente, parei de tomar hormônios anticoncepcionais, usar absorventes de algodão e passei a me alinhar mais com a Lua e os fluxos da natureza, e as duas coisas foram se alinhando dentro de mim, o Xamanismo Ayahuasqueiro e o culto ao Sagrado Feminino, que na verdade é o culto antigo da Deusa ressurgindo como um meio de curar a mulher e a humanidade.

Criei um Círculo de Mulheres público e gratuito, o Flores de Yurema, e também passei a realizar alguns rituais solitários do Sagrado Feminino em casa, cada vez mais, até perceber que praticamente se formava uma rotina de culto em minha vida, algumas divindades começaram a surgir e a ganhar uma importância especial, algumas divindades masculinas surgiram também, mas percebi que o meu culto principal sempre será ao Feminino.

Devo lembrar que em 2014 eu recebi a instrução de que eu faria um trabalho do Sagrado Feminino com Ayahuasca, e no desenrolar das coisas essa missão se mostrou muito maior do que eu esperava e hoje eu e meu companheiro temos um projeto de um Templo Universalista que trabalhará com Ayahuasca, o TEU Luzes da Rainha, que está sendo construído e nós estamos recebendo desde então o devido preparo para tal.

Chegando até aqui o que eu percebo é uma vida inteira tentando encontrar essa Bruxa que estava perdida aqui dentro e que encontrei através das Plantas de Poder e do Xamanismo, e que acabou ganhando uma grande missão. Quando falamos de Xamanismo parece moderno, exótico, “diferentão”, e quando se fala em Bruxaria a gente ouve “você é ‘bruxinha’?”, entre risos, sinto essa palavra extremamente estigmatizada, como infantil ou como “coisa do mal”, sinto que hoje até os cultos religiosos de matriz africana que já sofreram tanto preconceito ganharam mais respeito do que a Bruxaria, afinal, eles se institucionalizaram como uma religião, e a Bruxaria não, muito embora exista a Wicca, ela não contempla toda a Bruxaria em sua infinitude.


Bruxaria é liberdade, bruxaria está além de bem e mal, de “pode” e “não pode”, está além de qualquer caixa que tentem colocá-la, eu gosto de diferir a Bruxaria do Xamanismo muito mais pela forma de culto atual do que pela essência, porque na essência eu não vejo diferença, quem pratica Xamanismo, pratica Bruxaria, é um fato, mas é claro que ocorreram diferenciações ao longo dos anos, e a palavra Xamanismo no contexto acadêmico hoje é relativamente nova com relação ao termo Bruxaria, eu explico melhor essa relação entre um e outro neste texto aqui: Xamanismo e Bruxaria.

Enfim... Percebi o quanto eu ainda nego em mim a Bruxaria, o quanto eu ainda considero “mais legal” ou “mais adequado” falar que sou “xamanista”, “universalista” do que simplesmente vomitar na cara da sociedade “SOU BRUXA”. Xamanista define melhor meu campo de estudo e atuação, que é com plantas de poder e cura, e universalista só explica a minha crença que é o reconhecimento do Divino em todas as divindades e seres de culturas diferentes e suas formas de culto (muitas bruxas podem ser consideradas universalistas), mas Bruxa é o que sou, uma mulher que transforma, dentro e fora, que não simplesmente aceita a vida com resignação e fatalidade (pelo menos não o tempo todo), e que atua manipulando com sabedoria os elementos em seu favor, em favor do próximo e da própria natureza, uma Bruxa também é uma guardiã da natureza por excelência, pois é dela que ela tira os elementos para poder praticar a sua magia, e por isso vive com ela em harmonia, zela por ela, reconhece o Poder em todas as coisas e por isso o respeita, sobretudo, sem temor, a Bruxa é uma amiga dos deuses, a eles confessa suas maiores dores, medos e aflições, e com eles celebra suas alegrias, conquistas e amores e a eles ela roga, de dentro de si a Presença que conforta, consola e ampara a sua comunidade, a Bruxa é o receptáculo do Divino.

Eu Sou Bruxa.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Nossa Mãe (Resignificando a oração "Pai Nosso")

Na maioria das culturas antigas pré-patriarcais o costume era que as mulheres cultuassem a Deusa e os homens, o Deus, cada um honrando e reverenciando o seu oposto complementar, mas seus templos e cultos eram divididos desta maneira, neste sentido, trago hoje uma oração que intui resignificando o tradicional "Pai Nosso" para uma oração para mulheres fazerem à Grande Mãe, a Nossa Mãe.



Nossa Mãe
Que estás na Terra, na água, no fogo e no ar
Santificado seja o teu corpo com tua fartura e beleza
Este é o Vosso Reino Natural e a ele pertencemos
Que conforme a tua vontade seja a nossa existência em harmonia
Pois tudo o que vive na Terra possui espírito
E é dEla o alimento que todo dia nos dai, Mãe
Perdoai-nos, Mãe, a nossa humanidade
Pois nós ainda somos falhos em perdoar o próximo na mesma proporção da Tua compaixão infinita
Quando cairmos, que a Senhora nos ampare em teu leito, pois de Ti viemos e a Ti retornaremos
E transmuta, Mãe, em Teu ventre todo o mal em Amor.

Sinal da Cruz:
Em nome da Lua Cheia (terceiro olho), da Lua Negra (ventre), da Deusa que há em mim (coração), da Lua Ceifadora (esquerda) e da Lua Ascendente (direita), que assim seja (mãos unidas e reverência abaixando a cabeça).


sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Por que o Sagrado Feminino PRECISA do Feminismo?

Imagem: A pintura de fundo é de autoria de Corina.
A imagem sobreposta com a frase é do 'blogueirasfeministas.org'.


Um pouco da minha missão e história de vida se confundem com este texto...

Primeiramente eu gostaria de dizer que eu não sou nenhuma entendida sobre a parte teórico-filosófica do Feminismo, não li as principais autoras, não pesquisei muito, mas consigo compreender como mulher o quanto esta luta nos importa.

Inicialmente eu tive muita resistência em compreender o Feminismo e em entender porque ele era necessário, pois sempre acabava me deparando com pessoas extremistas e isso me deixava frustrada, por ver o tom de violência que permeava seus discursos frequentemente. Imagine uma pessoa recém-descoberta no mundo utópico do Sagrado Feminino para a classe média que podia pagar na época, sentindo coisas profundas acontecendo dentro de mim, sentindo amor entre mulheres, amor pela natureza,  amor, amor... e no meio de tanto amor eu me perdi e não vi mais aquelas mulheres em situação de rua, em situação de prostituição, em situação de violência, vivendo nas favelas, etc.

Eu precisava me curar para aprender a olhar para o outro também...

Eu que sempre fui revolucionária, que chorava pela desgraça alheia desde criança, de repente estava alienada achando que tudo era só paz e amor e que assim tudo se resolveria.

Até que eu saí da casa dos meus pais e meus principais confortos capitalistas ficaram ali para sempre, junto com aquela consciência limitada de quem quase sempre tem o que quer. Vivi de forma bem simples desde então, me libertando cada vez mais, ainda estou me libertando, aliás.

Tendo a minha própria família e vivendo de forma simples passei a compreender o valor que tinham as coisas (ou o valor que o sistema atribui as coisas), passei a entender que nem todos tinham dinheiro para pagar rituais, cerimônias, cursos... Porque de repente era eu quem não tinha mais, mesmo tendo deixado de comprar roupas e outros pequenos luxos, mesmo tendo deixado de ir à festas, de fazer passeios, de comer fora e comprar petiscos.

Ué, se eu não precisava mais gastar 40 a 60 reais com essas coisas, por que eu iria pagar esse valor em um ritual religioso-espiritual, em uma coisa imaterial, não-intelectual e não-material, mas natural, essencial, se com esse dinheiro eu poderia fazer uma boa compra de alimentos, por exemplo? E fui além, pensei nas pessoas que nem tem para o alimento. E naquelas que mal tem como existir e nem sabem direito que estão vivas...

Era claro para mim pela primeira vez, espiritualidade não pode ser comercializada, o Sagrado pertence a todos, não podemos vender Deus! (ou a Deusa!)

Começou assim, então eu não iria mais nessas cerimônias pagas, e como eu já tinha inclinação ao Sacerdócio, oferecer espiritualidade livre, gratuita, SAGRADA, ESPIRITUALIDADE DE VERDADE passou a ser também a minha missão, minha e do meu companheiro, que acompanhava meu despertar e ao mesmo tempo despertava comigo.

E de repente eu passei a entender a importância das lutas sociais, se até Deus estava sendo vendido, quem poderia proteger e acolher as pessoas mais necessitadas? Quem?...

Eu não tenho tanta inclinação política, confesso, mas sei que há pessoas que naturalmente têm, elas têm essa missão, estão aqui para isso e têm paixão e vontade para realizar certas tarefas, é o Dharma delas.

Entendi que eu sou Feminista, porque eu preciso dessa luta também, não apenas por mim, mas principalmente por todas as mulheres que eu chamo de irmãs, ao pensar o Sagrado Feminino de forma Universal.

Que despertar mais egoísta seria este onde apenas as mulheres que têm dinheiro importam?

É claro que as mulheres periféricas precisam muito mais do que nós do Sagrado Feminino, elas são as principais oprimidas, pelos homens, pela indústria e até pela medicina, precisamos chegar até elas, claro que precisamos.

Então imagine que eu chego hoje numa mulher em situação de rua e digo que ela precisa honrar suas ancestrais (que podem ter sido as primeiras abusadoras, as que a abandonaram e a diminuíram), que ela precisa amar o seu sangue (que ela odeia por não ter nem um banheiro para suas necessidades mais básicas, porque a faz sentir dor e vergonha por mal ter uma roupa), que ela precisa ser irmã das outras mulheres (sendo que a maioria das pessoas não quer nem mesmo olhar para ela)... Acham que assim podemos ajudar esta mulher? Claro que não.

Estas mulheres antes precisam entender que elas são PESSOAS, que elas possuem DIREITOS e que elas são DONAS DE SEUS CORPOS, esse é o papel do Feminismo.

MAS saibam que não são apenas as mulheres de classe baixa que não sabem que são pessoas, que possuem direitos e que são donas de seus corpos. Existem mulheres de todas as classes neste exato momento trancafiadas em casa porque o marido não as deixam sair, porque são violentadas e ameaçadas, muitas delas precisam antes entenderem que são pessoas para poderem ter acesso a qualquer coisa que possa ajudá-las a ascenderem espiritualmente.

Nós temos um corpo, este corpo é o nosso templo, é Sagrado, é onde nossa alma habita, é dentro dele que ocorre toda a magia do Sagrado Feminino, nosso templo precisa ser restaurado, amado, alimentado, respeitado, dignificado!

Precisamos obter a autonomia sobre ele, a gente pensa com esse corpo, a gente sente com esse corpo. Precisamos dar a ele a consciência de que somos nós as donas do corpo e de que nós podemos existir com dignidade, somente com mentes e corpos libertos poderemos acessar a Alma, o Divino que nos habita.

Eu reverencio as minhas irmãs que lutam pelo Feminismo, pois elas lutam por todas nós!

Gratidão às mulheres militantes!

Porque não vai ter círculo de mulheres livres e pensadoras realizando rituais de magia abertamente se não tiver alguém lutando para que essas mesmas mulheres saibam que elas são livres para poderem viver sua espiritualidade como bem entenderem.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

II. O "Ritual" do Sagrado Feminino - Parte III

Vamos continuar nossos estudos sobre os Rituais dos Círculos de Mulheres?

Hoje falaremos sobre a questão da gratuidade e da capacitação para a condução de um Círculo.


Por que tem que ser gratuito?

Voltando ao início do texto, lembremos do que é um ritual, ou seja, uma cerimônia mágico-religiosa, isto por si só basicamente explica o motivo dos rituais serem gratuitos. É claro que dentro de um coven, ou círculo fechado, os membros fixos podem trabalhar cooperativamente para manterem o trabalho juntos, já que todas possuem uma responsabilidade compartilhada pelos trabalhos. Mas, por outro lado, uma pessoa que sozinha assume a responsabilidade de conduzir um trabalho espiritual (seja ele qual for) possui a responsabilidade como que de uma sacerdotisa (isto quando não é de fato uma sacerdotisa), não é porque saímos dos conceitos patriarcais de hierarquia linear que o sacerdócio perde seu sentido, ele ainda deve existir, mas de maneira mais flexível acompanhando a fluidez do que é o Feminino enquanto uma energia primordial que permeia a tudo no Universo.

Muitas de vocês irão encontrar círculos de mulheres pagos, e também cursos que prometem a capacitação ou formação para “Sacerdotisas” ou “Facilitadoras de Círculos”.

Sobre isto, inicialmente devo dizer taxativamente que NEM TODO CÍRCULO DE MULHERES É UM CÍRCULO “SAGRADO”, não levem a mal, é a realidade. Existem Círculos de Mulheres que atuam sim na cura das mulheres, mas de forma profissional e TERAPÊUTICA, ou seja, eles trabalham o Feminino de forma não religiosa e não estritamente espiritual, a exemplo temos muitos círculos trabalhando os arquétipos das deusas dentro da psicologia junguiana, como antes já dito aqui em outros textos, está errado? Não, de maneira alguma, errado é vender o ritual, errado é vender o “Sagrado”, Terapia é profissão e deve ser remunerada e valorizada.


Quem pode fazer? - Cursos de Formação

Agora quanto aos cursos de formação que prometem iniciações e capacitações, repito o que tenho dito nos círculos e em grupos quando esta questão é frequentemente levantada. A nossa sociedade como um todo precisa desconstruir a ideia de que você só pode se capacitar para algo em um curso que te dê um diploma ou uma instituição que te diga que você é o que você é. Isso sempre afetou as áreas profissionais (especialmente as mais tradicionais) e agora, por conta do capitalismo, afeta até nossa espiritualidade, porque muitos cursos se tornaram um meio de comércio, a questão é: você não “precisa” de um curso para se tornar uma sacerdotisa, uma facilitadora de círculos, etc, mas se você quiser existem cursos que podem ajudar na parte de estudos e vivências, no entanto, esses cursos não dão a ninguém o “real” título espiritual disso ou daquilo, até porque cada pessoa possui um aproveitamento diferente, duas pessoas podem fazer o mesmíssimo curso e uma pode ter um lindo despertar e outra pode ter simplesmente aproveitado somente o conteúdo, porque o despertar, o florescer espiritual não tem prazo, não tem método, não tem receita de bolo, é particular de cada um desde que o mundo é mundo, basta apenas que as pessoas se abram e realmente desconstruam essa ideia de que "eu sou menos capaz porque não sou formada no curso lá da “gringa” que diz que você é tal coisa ou não".

Antigamente existiam as escolas iniciáticas das mais diversas tradições místicas e espirituais, mas tudo era completamente diferente, era um outro tempo, uma pessoa nascia e desde criança era mandada a um templo aprender com mestres e mestras que dedicavam toda a sua vida a isto, muitos eram celibatários, renunciantes, e ali sim você poderia dizer que havia uma ordem e no fim a pessoa receberia uma “iniciação” verdadeira, mas hoje isso é cada vez mais raro, primeiramente porque ninguém quer renunciar a nada, e segundo porque TODOS querem algo em troca, ninguém quer mais a responsabilidade de um verdadeiro sacerdócio, de receber pessoas, cuidar, orientar, ensinar e viver integralmente o ofício. Então se perdeu o conceito de iniciação na era moderna, isso ao meu ver, não que não exista, eu até acho que exista, mas é bem raro de ser encontrado.

Eu gostaria de dizer também, complementando tudo o que já foi dito sobre os cursos, que considero justo um valor simbólico colaborativo pela transmissão de saberes (simbólico colaborativo de 1000 reais não vale), porque estamos longe daquele ideal do Sacerdócio do passado, apesar de que se a transmissão for por meio de um Sacerdócio eu acredito que deve ser gratuito sim e apenas com contribuição/doação consciente por parte da pessoa interessada SE ela quiser e puder, mas quando falamos de ensinar algo que foi estudado, organizado e que despendeu o tempo de uma pessoa que não é um Sacerdote e leva uma vida comum, mas que gosta de se dedicar a espiritualidade eu não vejo mal nenhum em propor esta “troca”, desde que não se torne um comércio capitalista (visando lucro), mas sim feito por prazer, de alguém que compreende que este é um saber espiritual, e desde que não haja o monopólio do saber, ou seja, você pode fazer um curso de benzimento e pagar por ele, mas isso não desmerece e nem “incapacita” aquelas que aprendem de forma espontânea, autodidata e especialmente aquelas que aprendem por tradição familiar. Um dos absurdos que mais vemos é uma pessoa usar de um título que é vendido por meio de um curso “iniciatório” para dizer que ela é a única capacitada a exercer tal prática (ex.: Benção do Útero, ou Womb Blessing com o título de Moon Mother, Goddess Blessing ou Benção da Deusa com o título de Blesser), pensem bem, usar o nome “Benção do Útero”, “Benção da Deusa” ou qualquer tipo de benzimento de forma exclusivista não seria uma apropriação indevida de saberes ancestrais, que são patrimônios imateriais e universais da humanidade? Isso é nosso, é visceral, não pertence a ninguém que tente se apropriar.

Então, por fim, concluo que o sacerdócio dentro do Caminho da Deusa, ou do Sagrado Feminino é algo bem mais simples do que se espera, até por a mulher ser naturalmente intuitiva, mas quero deixar para aprofundar neste assunto em um texto mais específico, o que podemos dizer de forma geral é que todas podem conduzir círculos, todas as que sentirem O Chamado da Deusa, e daí o seu sacerdócio pode ser dentro de um coven, de uma ordem iniciática ou não, ele também pode ser solitário, intuitivo e espontâneo, cada ser é um Universo e cada caminho, único. Ahá!

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terça-feira, 11 de abril de 2017

II. O “Ritual do Sagrado Feminino” - Parte II

Continuando nossos estudos acerca do "Ritual" do Sagrado Feminino, falemos sobre onde acontecem estes rituais e quem pode ou não participar.



"Somos um círculo, dentro de um círculo, sem começo e sem fim." (Mirella Faur)















Locais Adequados

Por ser um ritual, o ideal é que seja em comunhão com a natureza, então muitas pessoas buscam parques públicos, por exemplo, mas também é importante haver um mínimo de privacidade e resguardo do público e do exterior, então por este motivo acabam-se realizando muitas vezes em salas fechadas alugadas ou na casa de alguém. 



Círculos Abertos e Círculos Fechados

É importante lembrar também da natureza do círculo, vez que existem círculos abertos a público, e círculos fechados, que funcionam como covens ou ordens esotéricas, aonde existem geralmente pelo menos alguns rituais abertos para admissão de novas integrantes, e há ainda círculos que mesclam estas duas práticas, possuem um grupo fechado e realizam rituais públicos eventualmente, então alguns destes círculos fechados podem ter até mesmo locais fixos para seus rituais, como templos e santuários.



Quem são as participantes?

A maioria dos círculos do Sagrado Feminino só admite a participação de mulheres, isto não é regra, mas dado o momento da sociedade é compreensível que as mulheres precisem ainda e muito de um espaço só delas, muito mais do que compartilhar estes ritos com homens que possuam interesse em trabalhar o seu Sagrado Feminino, o que é uma necessidade real para a maioria dos homens, ainda que estes não saibam.

Para alguns rituais não é recomendada a presença de crianças pequenas por conta dos excedentes energéticos do trabalho, isto deve ser conversado particularmente com a facilitadora que irá conduzir o ritual.

Quanto à admissão ou não de mulheres trans, bi ou homossexuais, do meu ponto de vista baseado nas minhas vivências e estudos, o que vigora é a inclusão de mulheres, sejam elas heterossexuais ou não, sejam elas brancas, negras, ricas, pobres, jovens, idosas, mães ou não, com útero ou não, tanto faz, somente cada mulher sabe e pode julgar o quanto ou não precisa do Sagrado Feminino em sua vida. Para mim, tenho que a posição da mulher que dirige um círculo é de acolher, e não de julgar ou excluir baseado no quanto um ser humano pode ser mulher ou não pela sua biologia ou pela sua orientação sexual, acolher está acima de qualquer julgamento. Particularmente não vejo sentido em excluir mulheres trans de um Círculo do Sagrado Feminino, tendo em vista que muitas estão buscando mesmo esta conexão (por vezes recém-descoberta) com algo que vêm de dentro delas e não do seu exterior, a premissa é que Sagrado Feminino e Sagrado Masculino se integram e equilibram todos os seres, então uma pessoa que se identifique com o gênero Feminino terá mais afinidade com o Sagrado Feminino, naturalmente.


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quarta-feira, 5 de abril de 2017

II. O "Ritual" do Sagrado Feminino - Parte I

O que é esse tal “Círculo de Mulheres” que tanto falam? O que acontece? 

Imagem: Acervo pessoal. Círculo de Mulheres do Sagrado Feminino "Flores de Yurema", São Paulo, 2015.

Este é o primeiro de uma série de Artigos sobre o "Ritual" do Sagrado Feminino que você verá aqui!


A palavra ritual pressupõe uma série de ritos simbólicos que atuam no inconsciente das pessoas de forma profunda, espiritual. A maioria dos encontros hoje chamados de “Círculos de Mulheres” ou “Círculos do Sagrado Feminino” são organizados na forma de Rituais, uns mais simples, outros mais complexos, cada qual à sua tradição seguindo as afinidades e referências de sua (ou suas) facilitadora(s).

Primeiramente, vamos tentar colocar em exemplos simples o que pode ser caracterizado como ritual: acender velas, cânticos às divindades em grupo, danças circulares (no contexto ritual), meditações, orações, comunhão com medicinas ancestrais (Ayahuasca, Rapé, Cachimbo Sagrado, etc), entre outras práticas.


O Ritual na Prática - Guia para iniciantes


De forma geral todo ritual segue preceitos básicos de Magia para que tenha um bom aproveitamento do grupo que está participando e estes preceitos seguem mais ou menos um padrão, mesmo quando feitos sob influências de tradições religiosas-espirituais diferentes, estes preceitos são, basicamente e geralmente nesta ordem: 

- Limpeza energética do ambiente;
- Montagem de um altar ou algo equivalente;
- Limpeza energética das participantes; 
- Criação de um espaço-tempo sagrado (geralmente feita por meio de uma meditação coletiva ou minutos de silêncio a fim de nos desligarmos dos problemas do dia-a-dia para adentrarmos ao Sagrado);
- Apresentação do ritual com explicações sobre as práticas;
- Apresentação das participantes (opcional, mas altamente recomendável);
- Evocação das divindades, espíritos-guias e seres guardiões relativos à egrégora do Círculo e/ou do ritual em específico.

Após esta parte de abertura inicia-se o ritual em si, que pode ter das mais variadas práticas, mas é muito comum se acenderem velas, um caldeirão com fogo, ou mesmo uma fogueira, acenderem incensos para serem ofertados, realizarem-se cantos de mantras ou canções espirituais, fazerem alguma magia cerimonial (atos simbólicos para representar um objetivo mágico a ser atingido) e o mais comum de todos é que se realizem meditações, especialmente as guiadas.

Para o fechamento, geralmente apenas despede-se das divindades e seres evocados e em alguns casos realiza-se alguma prática simples de banimento (ou descarrego) para transmutar e eliminar quaisquer excedentes energéticos que possam ter ficado do trabalho espiritual. Feito isto é comum que se faça uma “roda da palavra” (o termo é da tradição Xamânica norte-americana, mas é amplamente utilizado nos círculos independente da tradição), é o momento aonde as pessoas relatam sobre sua experiência naquele dia e fazem seus agradecimentos. Também pode haver a prática de dança circular com cânticos no sentido de “fechar” o círculo, ou mesmo no sentido celebrativo. Ao final de tudo costuma-se fazer um lanche compartilhado com alimentos naturais e leves, que geralmente também ficam no altar durante os ritos para serem imantados com energias benéficas.


O Ritual na Teoria - O que é trabalhado?

Colocadas todas estas questões mais técnicas e práticas, que sempre podem sofrer variações a depender das referências espirituais da facilitadora/guardiã do círculo, agora falemos sobre a teoria, o que acontece nestes rituais?

A prática segue um roteiro magístico para que o ritual simplesmente aconteça, mas é no conteúdo de cada ritual em si que está a verdadeira magia. Cada ritual costuma possuir certo tema, ou finalidade a ser atingida, de maneira geral, todos os rituais de Círculos de Mulheres do Sagrado Feminino possuem uma finalidade comum de empoderamento da mulher e de “re-sacralização” do Feminino no inconsciente coletivo, no entanto alguns rituais possuem temas mais específicos, é muito comum, por exemplo, que sigam a Roda do Ano, pela tradição Celta, ou por outras tradições Xamânicas, pelo motivo de que a Roda do Ano é na verdade uma forma de ritualizar a própria vida do ser humano em harmonia com os ciclos da natureza ao longo de um ano completo, ou seja, todas as tradições nativas de uma forma ou de outra celebravam e ritualizavam as passagens da natureza (estações do ano, solstícios, equinócios) de forma que estas representam em escala maior fases da nossa própria vida (nascimento, maturidade, morte, em termos simples), então isto é largamente utilizado há tempos por magistas também a fim de aproveitarem as energias telúricas e também do Universo para atingirem seus propósitos, por exemplo, para um ritual de descarga ou limpeza o ideal seria fazê-lo em um momento em que a natureza está em decomposição, estação do Outono.

Mas a Roda do Ano não representa toda a teoria na qual se baseiam os Círculos, nem de longe, tendo em vista que a Roda do Ano é a volta da Terra ao redor do Sol (astro tido como masculino), temos também como referência fortíssima a influência da Lua (astro tido como feminino), então há rituais que se utilizam também (ou somente) das fases lunares, especialmente relacionadas à faces da Deusa para aqueles que cultuam as divindades arquetípicas (exemplos: Lua Nova - Jovem, Lua Cheia - Mãe, Lua Minguante - Anciã, mas existem ainda muitas outras subdivisões para além desta chamada de “tríplice”). 

Existem também pessoas que escolhem seus temas de forma intuitiva ou aleatória, não existe certo ou errado, mas eu, particularmente, considero prudente e mais eficaz levar-se em consideração pelo menos a fase da Lua, haja vista que ela nos influencia muito enquanto mulheres, até mesmo nossos ciclos reprodutivos e humor. E são dentro desses temas que as magias e curas acontecem, que podem ser dos mais variados possíveis, abrangendo: sexualidade, criança interior, relacionamentos conjugais, relações familiares, maternidade e até mesmo dons e talentos profissionais podem ser trabalhados, mas todos acabam trabalhando na cura do Feminino em algum ponto.


No próximo texto falaremos sobre os locais onde acontecem os Rituais e quem pode ou não participar. E mais adiante sobre os motivos de os Rituais serem obrigatoriamente gratuitos, quem pode conduzir estes rituais, e por fim sobre o Sacerdócio no caminho da Deusa. Acompanhe!

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segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Espiritualidade para a Contracultura: O Transe

A Contracultura é um movimento que, como diz o nome, vêm nadando “contra” a corrente, “contra” as culturas massivas, surgiu entre os anos 60 e início dos 80 (a depender da região), como resposta da juventude à tempos de repressão e de ditadura militar.

Imagem: Quadro de Pablo Amaringo, ícone da Arte Visionária.

Como ato de rebeldia e talvez como forma de “fugir” da realidade dura em que se encontrava nossa sociedade na época as pessoas passaram a buscar saídas ou “escapes” nas drogas, especialmente aquelas de caráter psicoativo, como numa maneira de viver no onirismo, nos sonhos, distantes da realidade que o mundo mostrava até então.

O contato com plantas psicoativas, melhor nomeadas enteógenas (do grego: “en theos”, ou Deus dentro) sempre foi parte do cotidiano dos nativos do mundo como já foi explicado nos materiais sobre o Xamanismo, este contato se perdeu com a urbanização, a evolução tecnológica e as colonizações que findaram marginalizando a cultura do Transe, o que também foi uma forma de manipulação em massa, já que as pessoas desprovidas de saberes ocultos e intuitivos poderiam ser mais facilmente distraídas para servir ao consumo e ao controle das Elites e seus sistemas financeiros.
Na contemporaneidade podemos entender essa busca desenfreada dos jovens por alucinógenos e outros métodos expansores de consciência, adrenalina e/ou relaxamento, como uma inconsciente busca, na verdade, pelo contato com o Divino, com o Sagrado e por conseguinte, consigo mesmo.


As Celebrações Profanas da Atualidade

As celebrações profanas, as raves, baladas e outras reuniões onde os jovens se encontram para dançar, conversar, e quase sempre também embriagarem-se, nada mais são do que tentativas do inconsciente coletivo de recriar o cenário ancestral das celebrações nativas, das festividades à beira de fogueiras, das músicas repetitivas com tambores para induzir estados meditativos e expansores de consciência (daí originou-se o estilo de música “Trance” = Transe), e mesmo o estado de alegria e de comunhão natural do ser humano em harmonia com seus irmãos, que foi perdido à mesma medida do avanço tecnológico e do sistema capitalista, que nos afastou do contato físico, do convívio pessoal e nos tornou egoístas, individualistas, pessoas centradas em carreiras, dinheiro e que sequer possuem lazeres para si próprios, agindo dentro de condicionamentos impostos socialmente desde a infância, tão enraizados, que não nos permite “abrir os nossos olhos”. Somos nós, os homens urbanos os verdadeiros zumbis, os ignorantes sobre as verdades da vida.

Então o que resta para o final de semana é o extravasamento de todas estas frustrações, umas conscientes, mas a maioria muito inconsciente, muitos estão buscando por algo, mas a maioria não sabe o que está buscando.


Religiões e Seitas “Nova Era”

Dentro desse contexto da Contracultura dos anos 60 aos 80, surgem ou apenas ganham mais notoriedade algumas religiões e seitas relativamente novas, especialmente para as metrópoles.

No Rio de Janeiro surgia a Umbanda, no Acre surgia o Santo Daime, e nos EUA chegava o até então conservador Hinduísmo Vaisnava (ou Consciência de Krishna). Essas três principais religiões possuem uma coisa em comum: resgataram muitos jovens do vício nas drogas.

Umbanda
A Umbanda enquanto culto recém “criado” e de origens Africanas logo foi jogada às margens da sociedade, o que atraía muito aos jovens da Contracultura, pois lutavam, sobretudo por liberdade, especialmente o povo negro. Além de ter na mediunidade uma espécie de Transe, possuía também a alegria da celebratividade dos seus tambores e danças rituais.

Santo Daime
Quase que concomitantemente na Amazônia, na igreja chamada de Céu do Mapiá, o dirigente Padrinho Sebastião passava a receber em sua comunidade Daimista muitos jovens “hippies” que chegavam em sua maioria atraídos pela ideia da expansão de consciência, além do modo de vida simples, em comunidade, à parte dos sistemas financeiros que outrora os oprimia.

Consciência de Krishna
E foi em meados dos anos 70 também que chegava Srila. Prabhupada de navio nos EUA a pedido de seu Mestre Espiritual a fim de espalhar a Consciência de Krishna, e foi nesta época que muitos "hippies" tornaram-se também devotos, especialmente em São Francisco, todos sempre recebidos nos simples templos (mesmo drogados ou de ressaca), que oferecia inclusive alimentos, e a experiência do Transe através da meditação e dos cantos congregacionais conhecidos por “Kirtanas”. Soube por devotos que no Brasil muitos punks também se converteram ao Vaisnavismo em época pouco posterior.


Atualidade

Na atualidade, por estranho que pareça, após o Santo Daime ter se aliado à Umbanda, algum tempo depois começaram a surgir cultos também Ayahuasqueiros (que utilizam o mesmo Sacramento utilizado na Doutrina Daimista, o Daime/Ayahuasca), de cunho Universalista, e muitos deles dando abertura também para a cultura Hindu, em especial a mesma Consciência de Krishna mencionada há pouco.

É importante observar o quanto o afastamento não somente das Plantas de Poder, mas da cultura do Transe em geral, da musicalidade ritual e das confraternizações religiosas causou uma cisão na alma e na personalidade das pessoas, sendo notada especial e principalmente nos jovens, que segundo alguns estudiosos espiritualistas, são os Índigos, aqueles que vieram para causar revoluções na sociedade.

As seitas e religiões “modernas” ou “Nova Era” vieram com esse intuito de nos resgatar, de tirar as pessoas do “buraco” das drogas, de retomar o contato com si próprio, com a natureza e o irmão, à parte de comércios e outros oportunismos que sempre acabam envolvendo tudo o que ganha popularidade numa sociedade capitalista, podemos dizer que estes acontecimentos realmente vêm causando mudanças a níveis significativos no planeta. A espiritualidade do Transe nos traz o onirismo e a beleza, não mais de “fugir à realidade”, mas como o mundo real, no qual a verdadeira ilusão é o cotidiano massante na busca pelo capital, por isso a importância de vedar-se os comércios espirituais, que desviam os caminhos do desenvolvimento e nos colocam de volta no mesmo sistema a que nos rebelamos.


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: 
vandanashakti@hotmail.com.

sábado, 1 de outubro de 2016

I. Introdução Geral ao Xamanismo

Imagem: Acervo pessoal. Cachimbo e Maracá, dois dos principais elementos utilizados no Xamanismo, especialmente os de tradição brasileira.

Para começar, compartilho com vocês o meu estudo inicial sobre o que é o Xamanismo, atualizado e editado. 
A palavra Xamanismo foi recentemente criada (há poucas décadas) por antropólogos, a palavra é de origem siberiana e possui origem em "Xamã", que ao pé da letra significa "aquele que enxerga no escuro", uma forma de designar aquela pessoa na tribo que possui dons extrassensoriais. Atualmente a palavra Xamanismo dá nome a um conjunto de manifestações espirituais e magísticas do ser humano em comunhão com a natureza de forma sagrada, quase sempre por meio de estados alterados de consciência (êxtase, transe). 

O Xamã seria um Feiticeiro/Bruxo *Sacerdote (que dedica a sua vida a esta atividade), uma pessoa detentora de poderes especiais, divinatórios, etc. Se for a uma das obras mais clássicas do Xamanismo e da Enteogenia, A Erva do Diabo de Carlos Castañeda, verá que o índio Dom Juan se utiliza frequentemente da palavra "Brujo", mas de Bruxaria falaremos mais adiante. No Brasil, no contexto tribal tradicional, nós chamamos o Sacerdote do Xamanismo de Pajé, Pajelança nada mais é do que o Xamanismo genuíno brasileiro.

Há que se ter cuidado com a nomenclatura Xamã (que diz respeito ao Sacerdote Xamã tradicionalmente), àqueles que comungam com as Sagradas Medicinas com certa assiduidade podem ser melhor nomeados com a designação Xamanista, embora a ideia de ser um praticante de Xamanismo nem de longe se limite a apenas comungar com as medicinas indígenas, mas como no ocidente as pessoas geralmente não têm uma dedicação espiritual tão frequente, muitos dos xamanistas apenas comungam com as medicinas sem vivenciar o Xamanismo em sua totalidade, que está mais para um estilo de vida do que uma religião (no sentido doutrinário).

O Xamanismo caiu na mesma falácia do "católico não-praticante", a pessoa considera-se inserido neste contexto espiritual apenas por concordar com suas ideias principais e participar de algumas atividades sem compromisso, sem necessariamente participar ativamente de alguma prática, como o cristão que apenas vai a missa e não traz para sua vida cotidiana os valores cristãos, muitas pessoas vão a rituais públicos mas a maioria delas não pratica o Xamanismo em seu dia-a-dia, pela razão de que no fim, o próprio caminho acaba exigindo uma mudança muito grande na vida do ser humano, uma observação de si mesmo e do mundo que a correria da vida urbano-capitalista não nos permite, mas para quem consegue a gratificação de poder vivenciar ao menos 50% disso em sua vida, contempla o sabor da vida simples mas cheia de magia, pagando o preço, que é o desapego, especialmente material.

O daimista é o fardado da doutrina do Santo Daime que passou pelo rito iniciático de fardamento, tornando-se assim um membro da doutrina, considerado um soldado da Rainha da Floresta, que também é, por consequência de utilizar as medicinas frequentemente, um xamanista, então pode-se dizer que a doutrina do Santo Daime, além de cristã-universalista é essencialmente xamânica.

O Xamanismo não é uma doutrina religiosa, embora uma religião possa ser xamânica, ou possa apenas aderir a algumas práticas consideradas xamânicas em seus cultos, ele pode estar inserido em uma doutrina ou não, ele funciona de forma independente. De forma geral, consiste em um conjunto de práticas de magia natural, cerimonial, e de mediunidade com fins de cura física e espiritual, e também de orientação para a vida cotidiana para o desenvolvimento pessoal.
O uso de ervas, musicalidade, transe, e outros, está contido no Santo Daime, Umbanda, Candomblé, Catimbó, Wicca, Druidismo, Catolicismo e muito mais. E indo além... O que eram os "cultos de nação" afro senão práticas xamânicas oriundas das tribos nativas africanas, com seus próprios panteões de deuses que representam as forças da natureza?

O Xamanismo possui em suas culturas tradicionais além de um forte culto a Natureza, também um forte culto aos ancestrais e ao Sagrado Feminino.

Eu costumo dizer que o Xamanismo é a nossa obrigação enquanto ser humano habitante do planeta Terra, de nos harmonizarmos e termos reverências por todas as grandezas e forças naturais que nos cercam, e saber utiliza-las em nosso favor e de nossos irmãos (humanos, animais, plantas, etc), entendendo que fazemos parte de todo esse sistema, por isto o Xamanismo também é um estilo de vida fundamentado em princípios de ecologia.

Por fim, o Xamanismo é mesmo muito abrangente, falar dele nos leva longe e abre diversos outros caminhos, como alguns estudiosos dizem, o Xamanismo não é uma religião, mas a origem de TODAS elas, quando o homem das cavernas aprendeu a "rezar" durante a noite para o Céu, pedindo que na manhã seguinte houvesse o dia, o Sol, então isto já era o início do que um dia se chamaria Xamanismo, mais do que uma religião, uma religiosidade inata, natural, um estilo de vida que pode ser re-descoberto dentro do coração de cada um, dentro da nossa natureza interior que, embora nos esqueçamos, é conectada a toda natureza externa, a maior manifestação Divina.

Hoje, além de todas as características que já o acompanham desde a sua mais remota existência e as que foram sendo incorporadas ao longo do tempo, tornou-se também uma poderosa ferramenta terapêutica e de autoconhecimento nos meios urbanos, caindo inclusive no comércio.

Leia mais sobre o Xamanismo:

II. Xamanismo e Bruxaria

III.Sagrado Xamanismo
IV. Estilo de Vida Xamânico



Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.