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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
Visão em Teia - A Lei e o Karma no Xamanismo
O Xamanismo em geral é regido pelo que chamamos de Leis Naturais, que são as leis da própria natureza, um exemplo clássico seria "o que você planta é o que você colhe", basicamente estas leis são compreendidas por pura observância do meio natural e aplica-se a nossa vida por associação compreendendo que somos parte do meio. Mas se existe uma lei, uma regra que rege todo o processo ritualístico, magístico, espiritual e de crenças do Xamanismo esta é a Visão em Teia.
A Visão em Teia pode ser caracterizada em termos mais científicos e acadêmicos como a própria Ecologia ou a Consciência Ecológica, é uma crença comum entre a maioria das tradições nativas e também neo-xamânicas.
Esta visão consiste na ideia de que toda a forma de vida, toda a existência, seja ela material ou espiritual coexiste numa "teia" de interdependência e interligação, onde cada indivíduo, seja ele um animal, um humano ou até mesmo uma célula, possui sua função dentro desta teia que funciona como uma engrenagem que mantém toda a vida existindo em harmonia.
O grande propósito da prática do Xamanismo, o próprio autoconhecimento, seria então encontrar o seu lugar dentro desta teia, encontrar o seu lugar na existência, que se define pelo seu dom, sua missão, o que nas tradições hindus se chama de Dharma.
Esse dom ou missão é algo que você faz que colabora com a existência de todos os outros seres viventes de alguma forma, eu costumo dizer que nossos dons não são nossos, mas são da comunidade, do Universo, são qualidades especiais e únicas a serem ofertadas aos nossos irmãos, então no modo de pensar xamânico não há egoísmo, pois tudo o que temos é para o todo, e por consequência o é também para nós mesmos.
Compreendendo a teia fica fácil compreender a lógica da ação e reação, lei que rege a tudo no Universo e encontramos de variadas formas de crenças no meio espiritualista, como a Lei Tríplice difundida pela Wicca e outras formas de neo-paganismo, onde acredita-se que tudo aquilo que fizermos de bom ou de mal retornará para nós três vezes mais; ou como o Karma para o Hinduísmo que tem uma aplicação e um conceito muito mais complexos do que o propagado com o mesmo nome pelo Espiritismo Kardecista e demais vertentes de esoterismo, inclusive variando a sua interpretação até mesmo entre as vertentes do hinduísmo, mas basicamente a palavra Karma significa "ação", não vou abordar profundamente porque hoje não é este conceito que nos interessa aqui.
Então voltando à Visão em Teia do Xamanismo, imagine uma teia bem grande que pode ser tocada por você em cada uma de suas linhas, perceba que se você tocar em uma única linha, como quem toca na corda de um violão, por exemplo, esse toque irá reverberar por toda a teia, pois todas as linhas se entrecruzam ao longo da teia toda, essa seria então a visão do "karma" ou "lei do retorno" para o Xamanismo.
Tudo o que fizer a si mesmo ou ao meio, mesmo nas suas mais ínfimas partes reverberá pelo todo, se compreender esse conceito perceberá que o retorno pode ser muito maior do que o tríplice, porque toda ação vibra em toda a existência, em todas as dimensões e por toda forma de vida.
Existe uma crença antiga que diz para nunca se retirar um objeto da natureza sem um propósito, à toa, pois até mesmo uma pedra que é tirada de um lago pode gerar um pequeno impacto para uma pequena comunidade de microorganismos que vive ali nas proximidades, e indo além, às vezes um movimento pequeno como jogar uma pedra no oceano produz ondas que irão se propagar para além do que poderíamos ver ou medir a sua proporção.
Esta é a visão mais "científica" da coisa, mas se acreditar em elementais e outras formas de existência que habitam a natureza, perceberá que o impacto causado é sempre maior do que o que se imagina, só uma única árvore pode abrigar centenas de vidas, materiais e também elementais. Longe de uma verdade absoluta este é um conceito para ser vivido e sentido e não apenas assimilado pela mente racional, através da comunhão com as Plantas de Poder e outras formas de práticas Xamânicas podemos encontrar o nosso lugar na teia e compreender melhor as leis que nos regem, que são muito mais simples que as leis humanas.
A Visão em Teia é simbolizada dentro do Xamanismo por todas as formas de tecituras, pelas mandalas, pelos "filtros-dos-sonhos" e pela medicina da Aranha como Animal de Poder.
*É importante lembrar que já existe uma teoria científica chamada de "Teoria de Gaia" que pressupõe que a o planeta Terra seja um organismo vivo e que nós sejamos seres interdependentes da mesma.
*Uma curiosidade é que no Equador em 2008 foi reconhecida pela Constituição do país a Pachamama (Mãe Terra) como sujeito de direitos pela primeira vez na história.
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terça-feira, 3 de outubro de 2017
Quem é a Deusa?
Ela está em tudo, é Ela quem faz tudo florir e crescer, e também é Ela quem brinca de ceifar tudo quando quer, Ela é o que faz o nosso coração bater e também quem o paralisa, é quem nos dá a vida e nos recebe em seu ventre novamente quando partimos deste mundo.
Quase todas as atribuições que você aprendeu que eram sobre um deus masculino, na verdade são sobre Ela. A Ela geralmente se atribui mais características terrestres e materiais, e ao deus masculino, mais características sublimes e espirituais, como se a mulher representasse o corpo e o homem o espírito, de alguma forma sempre se fala entre os religiosos e espiritualistas de tradições diversas na transcendência do material, o que novamente coloca o Feminino em segundo plano, como a natureza material a que devemos nos libertar.
Mas o Feminino está além da Mãe Terra, está também na espiral das galáxias, no formato esférico dos planetas, está no vazio onde tudo se cria, no impulso das explosões cósmicas, na Shakti, a potência criativa. Segundo as crenças hindus mais antigas o deus masculino seria a consciência no seu estado de inércia, representado geralmente por Shiva, uma consciência que apenas existe sem interagir com sua criação, como num sonho, a Shakti, o Divino Feminino é a força que realiza, que dá vida e forma às ideias dessa consciência inerte, é Ela a única quem faz Shiva se movimentar, tem um ditado hindu que diz que “Shiva sem Shakti é apenas shava”, shava significa cadáver. A Deusa é a verdadeira doadora e provedora de vida, Ela é a razão da nossa existência, seja ela física, energética, espiritual ou divina.
Meu pranto mais sentido pelos milhares de anos em que estivemos separadas e que eu e tantas mulheres estivemos incompletas sob as sombras de um herói solar, cujo trono é herdado da Mãe, apagando assim o Divino Feminino. O mito da Deusa virginal que dá a luz à uma criança solar que irá governar o mundo se repete em muitas tradições, representando a supressão do Feminino, a substituição da tradição matrifocal e matrilinear por uma sociedade governada por homens.
Esse mito que representa na verdade o movimento da Terra ao redor do Sol e as estações da natureza numa analogia que movimenta forças masculinas e femininas de forma harmoniosa (nascimento, amadurecimento, reprodução e morte), a chamada “Roda do Ano”, foi utilizado para afirmar as divindades masculinas como heróis salvadores da humanidade, como Jesus, Mitra e outros, e as Deusas foram jogadas para as sombras destes heróis como apenas as “mães” mortais, perdendo assim toda a sua infinidade de possibilidades e facetas, e seu Poder, isso quando não apagaram até mesmo as mães...
Foram muitos templos destruídos, imagens quebradas, documentos históricos ocultados e deturpados por motivações políticas de dominação social, curandeiras e mulheres simples do campo jogadas nas fogueiras da inquisição e muito mais. O patriarcado já vinha ocorrendo desde antes de Jesus, mas após ele esse movimento se intensificou e muito com o Cristianismo, que foi propagado aos quatro cantos do mundo, e é motivo de guerra até hoje no Oriente. E foi com essa crença que a grande maioria das mulheres ocidentais como nós fomos criadas, com um deus masculino rígido, um herói masculino filho “único e perfeito” de deus e uma mãe mortal à sua sombra, a Virgem Maria.
No momento de dificuldade soltamos um “ai, meu deus”, ao se despedir de um amigo “fica com deus”, ao agradecer um “deus te abençoe”, ao fazer uma súplica um “pelo amor de deus”, ao se livrar de algum mal um “graças a deus”, e assim nós fomos fixando e programando em nossa psique e no inconsciente coletivo da humanidade que deus é homem, simplesmente a palavra “Deusa” não faz parte do nosso vocabulário, do nosso dia-a-dia, e palavra é Poder, é mantra, é encantamento! Precisamos resgatar a Deusa, precisamos falar e falar dEla centenas de vezes para nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, precisamos assumir Ela em nossas vidas e assim recuperarmos nosso próprio Poder que vem dEla.
A Deusa está aí, Ela sempre esteve, Ela está para quem quiser senti-la, Ela está em todos os lugares, em todas as coisas, apenas esperando que você acorde para Ela, que você abra os olhos um dia e se lembre de agradecer a Ela por estar vivo e por todas as dádivas que Ela nos dá.
Que a Deusa abençoe todos nós.
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| Imagem: Josephine Wall, "The Three Graces". |
Quase todas as atribuições que você aprendeu que eram sobre um deus masculino, na verdade são sobre Ela. A Ela geralmente se atribui mais características terrestres e materiais, e ao deus masculino, mais características sublimes e espirituais, como se a mulher representasse o corpo e o homem o espírito, de alguma forma sempre se fala entre os religiosos e espiritualistas de tradições diversas na transcendência do material, o que novamente coloca o Feminino em segundo plano, como a natureza material a que devemos nos libertar.
Mas o Feminino está além da Mãe Terra, está também na espiral das galáxias, no formato esférico dos planetas, está no vazio onde tudo se cria, no impulso das explosões cósmicas, na Shakti, a potência criativa. Segundo as crenças hindus mais antigas o deus masculino seria a consciência no seu estado de inércia, representado geralmente por Shiva, uma consciência que apenas existe sem interagir com sua criação, como num sonho, a Shakti, o Divino Feminino é a força que realiza, que dá vida e forma às ideias dessa consciência inerte, é Ela a única quem faz Shiva se movimentar, tem um ditado hindu que diz que “Shiva sem Shakti é apenas shava”, shava significa cadáver. A Deusa é a verdadeira doadora e provedora de vida, Ela é a razão da nossa existência, seja ela física, energética, espiritual ou divina.
Meu pranto mais sentido pelos milhares de anos em que estivemos separadas e que eu e tantas mulheres estivemos incompletas sob as sombras de um herói solar, cujo trono é herdado da Mãe, apagando assim o Divino Feminino. O mito da Deusa virginal que dá a luz à uma criança solar que irá governar o mundo se repete em muitas tradições, representando a supressão do Feminino, a substituição da tradição matrifocal e matrilinear por uma sociedade governada por homens.
Esse mito que representa na verdade o movimento da Terra ao redor do Sol e as estações da natureza numa analogia que movimenta forças masculinas e femininas de forma harmoniosa (nascimento, amadurecimento, reprodução e morte), a chamada “Roda do Ano”, foi utilizado para afirmar as divindades masculinas como heróis salvadores da humanidade, como Jesus, Mitra e outros, e as Deusas foram jogadas para as sombras destes heróis como apenas as “mães” mortais, perdendo assim toda a sua infinidade de possibilidades e facetas, e seu Poder, isso quando não apagaram até mesmo as mães...
Foram muitos templos destruídos, imagens quebradas, documentos históricos ocultados e deturpados por motivações políticas de dominação social, curandeiras e mulheres simples do campo jogadas nas fogueiras da inquisição e muito mais. O patriarcado já vinha ocorrendo desde antes de Jesus, mas após ele esse movimento se intensificou e muito com o Cristianismo, que foi propagado aos quatro cantos do mundo, e é motivo de guerra até hoje no Oriente. E foi com essa crença que a grande maioria das mulheres ocidentais como nós fomos criadas, com um deus masculino rígido, um herói masculino filho “único e perfeito” de deus e uma mãe mortal à sua sombra, a Virgem Maria.
No momento de dificuldade soltamos um “ai, meu deus”, ao se despedir de um amigo “fica com deus”, ao agradecer um “deus te abençoe”, ao fazer uma súplica um “pelo amor de deus”, ao se livrar de algum mal um “graças a deus”, e assim nós fomos fixando e programando em nossa psique e no inconsciente coletivo da humanidade que deus é homem, simplesmente a palavra “Deusa” não faz parte do nosso vocabulário, do nosso dia-a-dia, e palavra é Poder, é mantra, é encantamento! Precisamos resgatar a Deusa, precisamos falar e falar dEla centenas de vezes para nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, precisamos assumir Ela em nossas vidas e assim recuperarmos nosso próprio Poder que vem dEla.
A Deusa está aí, Ela sempre esteve, Ela está para quem quiser senti-la, Ela está em todos os lugares, em todas as coisas, apenas esperando que você acorde para Ela, que você abra os olhos um dia e se lembre de agradecer a Ela por estar vivo e por todas as dádivas que Ela nos dá.
Que a Deusa abençoe todos nós.
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sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Nossa Mãe (Resignificando a oração "Pai Nosso")
Na maioria das culturas antigas pré-patriarcais o costume era que as mulheres cultuassem a Deusa e os homens, o Deus, cada um honrando e reverenciando o seu oposto complementar, mas seus templos e cultos eram divididos desta maneira, neste sentido, trago hoje uma oração que intui resignificando o tradicional "Pai Nosso" para uma oração para mulheres fazerem à Grande Mãe, a Nossa Mãe.
Nossa Mãe
Que estás na Terra, na água, no fogo e no ar
Santificado seja o teu corpo com tua fartura e beleza
Este é o Vosso Reino Natural e a ele pertencemos
Que conforme a tua vontade seja a nossa existência em harmonia
Pois tudo o que vive na Terra possui espírito
E é dEla o alimento que todo dia nos dai, Mãe
Perdoai-nos, Mãe, a nossa humanidade
Pois nós ainda somos falhos em perdoar o próximo na mesma proporção da Tua compaixão infinita
Quando cairmos, que a Senhora nos ampare em teu leito, pois de Ti viemos e a Ti retornaremos
E transmuta, Mãe, em Teu ventre todo o mal em Amor.
Sinal da Cruz:
Em nome da Lua Cheia (terceiro olho), da Lua Negra (ventre), da Deusa que há em mim (coração), da Lua Ceifadora (esquerda) e da Lua Ascendente (direita), que assim seja (mãos unidas e reverência abaixando a cabeça).
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