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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

Meu Retorno para a Deusa: Reflexões pessoais sobre a vida material e como a Divindade se manifesta através dela

Em um momento de birra, como criança espiritual que sou (ou era, até então) eu decidi desmontar todos os meus altares, revoltada, pois algumas coisas vinham dando errado em minha vida e eu não conseguia perceber os sinais que esta situação me trazia. Diante de tamanha ingratidão estavam minhas Deusas sendo encaixotadas entre lágrimas, eu não podia perceber a Sua sublime presença oculta manifesta em tudo ao meu redor, no ar que eu inspirava e me fazia acordada todos os dias, no meu alimento, na vida dos meus animais, em toda vida à minha volta, mesmo na cidade, essa vida que tenta entrar pelas fendas das calçadas, sufocada.

Assim estava a Divindade em mim, sufocada, tentando emergir por qualquer fenda, jorrando dos meus olhos e nariz em lágrimas, ou do ventre em sangue dolorido todo mês, tentando me dizer algo, e eu como aquelas pessoas que reclamam do matinho que nasce na calçada, como se aquilo fosse um incômodo. E no fim, aquilo que nos incomoda tem muito de nós mesmos, daquilo que tentamos negar, ocultar...

E minha Deusa emergiu assim em mim, da forma que pôde, com dores e tristezas que eu não podia compreender. E quase que inconscientemente eu fui retornando a Ela, de uma forma sutil ela me chamava a pintar, a cantar, a dançar e com sua arte ela me curava e depositava seu amor infinito sobre mim.

Muitas das coisas consideradas "materiais" que neguei numa suposta "troca" por iluminação começavam a voltar para mim, velhos desejos, sonhos, e pela primeira vez eu me permiti, estava tão cansada daquele conceito de espiritualidade pesada que a gente carrega como um fardo, como mártir, como se a intensidade da sua luz, da sua entrega, se contasse em números de renúncias.

Entrega, pela primeira vez estava mesmo me entregando, me entregando a mim, a viver o que eu quisesse, sem um prévio julgamento moral, e ali Ela começou a aparecer para mim mais uma vez, e outra, e nunca mais se foi, como na verdade nunca havia partido. Mais do que na vida, agora eu que podia percebê-la, vê-la na arte, no prazer, na alegria e na beleza, todas suas dádivas, todas manifestações dEla que tem toda a emoção, toda a sensibilidade, todo prazer, alegria e beleza.


Estátua da Deusa Afrodite, na Ilha de Chipre.

Ela nos fez assim, como Deuses, capazes de manifestá-la em tudo, até mesmo na ira, mas mais do que aos outros animais nos presenteou com infinita emoção e capacidade de comover-se com a arte e o belo.

Perdi finalmente a minha "inocência" espiritual, aquela que me fazia achar que por fazer rituais e orações tudo sairia conforme eu desejava, sem compreender os desejos mais profundos da Alma, de minha Mãe que É em mim.

Eu não compreendia que esse era o momento de simplesmente ser quem eu era e parar de pedir por algo que não estava pronto, para o qual eu não estava pronta. Era hora de deixar os rituais e manifestar a Deusa em mim mesma, na realidade material, era hora de viver suas dádivas...

E foi assim que voltei aos braços fortes, mas doces da minha Grande Mãe, apenas sendo eu, e vivendo as dádivas do Universo perfeito que Ela criou: Prazer e Arte!

A DEUSA ESTÁ EM TUDO! Heya! 

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

20 Coisas Para Fazer no Imbolc

Decidi reunir uma listinha básica de coisas que vcs podem fazer no Imbolc, seja ritualisticamente ou não, pois a vida da bruxa é Sagrada!


1. Usar uma coroa de flores (naturais, se possível) em honra a Deusa Jovem;
2. Vestir-se de branco, simbolizando a pureza da Deusa menina;
3. Acender velas/fogueira simbolizando o Fogo Sagrado de Brighit;
4. Tomar um banho de ervas de purificação;
5. Fazer uma cerimônia (ou não) de lava-pés com ervas de purificação;
6. Fazer a varredura da casa com vassoura de ervas (ou com a vassoura que vc tiver em casa) intencionando a purificação das energias;
7. Fazer uma cruz suástica ou de três braços com palha de trigo, junco ou capim (dá pra fazer com lascas de bambu também), pode usá-la pendurada na porta de casa, do seu quarto ou em algum local especial como proteção;
8. Fazer uma boneca de palha (pode ser de milho, trigo ou até palha da costa) ou lã representando Brighid;
9. Fazer a "cama de Brighid" para a sua boneca de palha/lã;
10. Fazer uma procissão com velas;
11. Visitar uma nascente ou poço e lá fazer suas orações e pedidos (pegue um pouco da água para abençoar depois);
12. Colocar fitas verdes ou pedacinhos de tecido de roupas suas ou de uma pessoa que esteja precisando de cura pendurados em uma árvore frondosa (recolha na manhã seguinte com a imantação do orvalho);
13. Fazer seus próprios pães;
14. Oferendar pães, cerveja, hidromel, leite, grãos, mel e/ou água pura;
15. Meditar sobre o que você precisa liberar e deixar ir;
16. Meditar sobre o que você deseja;
17. Queimar uma lista de pedidos no fogo (vela/fogueira/caldeirão);
18. Separar coisas que não lhe sirvam mais para doação;
19. Fazer iniciações e/ou dedicações;
20. Ficar em casa no aconchego do lar e da família, e se possível fazer uma "ceia" juntos agradecendo por esse momento e pelo Fogo Sagrado que nos acalenta.

É isso, pessoal, essa lista é sugestiva e focada na tradição Celta e no culto a Deusa Brighid, mas algumas coisas podem ser adaptadas com respeito conforme a sua tradição desde que se atenha à egregora da natureza e do momento energético em que estamos.

*Não entrei em detalhes sobre algumas coisas como a "cama de Brighid" pois vcs podem encontrar pesquisando no Google, a lista serve apenas para dar ideias.

terça-feira, 5 de junho de 2018

Me libertei do "Sagrado Feminino"

Depois de cerca de 5 anos de práticas decidi me libertar do “Sagrado Feminino”.

O termo “Sagrado Feminino” não se refere mais à Espiritualidade em comunhão com a Deusa, com a Grande Mãe como o foi no princípio, e entendo isto como um fenômeno cultural que se deu pela sua popularização e pela forte adesão dos terapeutas aos seus conceitos e visão de mundo.

Hoje o termo se refere a todo um conjunto de práticas terapêuticas adaptadas geralmente em formato de Círculo como referência ao Sagrado, onde quase sempre se trabalha com as Deusas, entidades e ancestrais como arquétipos, fundamentados pela Psicologia Junguiana, e não mais de forma religiosa-espiritual como seres verdadeiros e invisíveis habitantes de outros mundos e dimensões como já o faziam as bruxas desde muito antes do termo ganhar tamanha popularidade.

Então esse “Sagrado Feminino” de hoje não depende mais de fé, já que se baseia numa “ciência” e por este motivo acabou ganhando também a adesão de pessoas de outras religiões que estão parcial ou até mesmo totalmente em desacordo com os valores e visão de mundo da Antiga Religião da Deusa.

E é nesta parte que eu corto meus laços com esse termo para sempre, pois reduzir nossos Deuses à facetas de nossa própria mente e ainda vender nossos antigos rituais levando o nome de SAGRADO como algo ordinário, como algo negociável é uma ofensa para as verdadeiras bruxas de todos os tempos, e principalmente para aquelas que lutaram para tirar a nossa fé das trevas da ignorância e ter as nossas tradições respeitadas.

Hoje antigos rituais e práticas de bruxaria são vendidos (e às vezes por muito caro) pelo mundo todo com o título de “Sagrado Feminino”, são vendidos como terapia e às vezes são vendidos até como “espiritualidade” mesmo.

Infelizmente quando penso nesse termo eu já não sinto mais aquele Poder, aquele encanto antigo que me tocava na alma, mas apenas vejo pelos olhos físicos e também pelos olhos da mente diversas mulheres estereotipadas, brancas, cabelos padrão liso/ondulado, saia indiana (possivelmente muitas de trabalho escravo de outras mulheres), flores na cabeça, penduricalhos com pedras pelo corpo, pinturas corporais (muitas vezes imitando simbologias indígenas desconhecidas), termos como “mana”, “lua” e “gratidão”, e as dezenas de propagandas de eventos caros prometendo a cura do feminino se utilizando de todos estes elementos citados acima como ELEMENTOS DE MARKETING.


As que são vistas.

Sim, criamos um código com diversos estereótipos que nos identificam na sociedade. Antigamente eu ia em um evento desses e achava engraçado e legal que as meninas e eu mesma acabávamos sempre nos reconhecendo pela roupa “essa tem cara de quem vai no Sagrado Feminino”, como o evangélico de social com a bíblia debaixo do braço, elas, de saião colorido, claro. Hoje fico triste, porque quando olho uma mulher de roupas simples na rua, uma mãe de família, uma dona-de-casa, uma prostituta, uma mulher em situação de rua eu não vejo nelas esse “Sagrado Feminino” que eu identificava nas minhas amigas...

As que não são vistas.

Esse tal “Sagrado” que dizem que traz o ideal de unir mulheres, na verdade gera um código de conduta social (vestimentas, expressões, etc) que nos separa, e não foi isso que aprendi quando li sobre a Antiga Religião da Deusa quando eu tinha 13 anos, quando não tinha internet, nem redes sociais e nem esse culto exagerado a si mesmo preconizado pela famosa “selfie”. Eram só os valores da essência que estavam nos livros, não se falava de gírias utilizadas por um grupo de praticantes ou de vestimentas padrão, e pasmem, a vestimenta mais comum era o NU, sim, o despir de todas essas máscaras que ostentamos na sociedade.

E é assim que vai ser meu encontro com a Deusa e o Sagrado de agora em diante: NU, não exatamente nua no sentido literal, mas despida de todas essas coisas que absorvi durante esse modismo, começo a partir de agora esse caminho de volta para a essência verdadeira.

A partir de hoje estarei me desvinculando de tudo o quanto for possível com esse termo “Sagrado Feminino”, que agora só vou utilizar com aspas.

Esse texto vai causar desconforto em muita gente, mas em mim causei agora uma libertação colocando essas palavras que gritavam na minha alma em público.

*Gostaria de deixar uma observação de que não tenho nada contra Terapeutas (eu sou Terapeuta e tenho amigos também Terapeutas) e nem contra a Psicologia Junguiana, eu também a estudo, utilizo e entendo como um outra forma de estudar as Divindades para além do sentido religioso-espiritual, meu problema é com quem se utiliza dela para VENDER algo que leve o nome de SAGRADO, que isso fique claro.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Um Pouco sobre Yemanjá e Suas Filhas

Hoje, 2 de fevereiro é dia de Yemanjá pelo sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes, essa celebração é mais popular na Bahia e entre os praticantes do Candomblé, eu mesma não costumo celebra-la nesta data, principalmente porque na região onde moro há uma grande festa à Yemanjá no 8 de dezembro. Maaas sempre acabo fazendo um agradinho a Ela nesta data também, por isso decidi falar um pouquinho dela, que para quem não sabe é a minha mãe. J

Carrego Yemanjá e também sua filha Oxum, e dizem mesmo que uma não anda sem a outra, geralmente...

Imagem: Arte caribenha representando Yemanjá esculpida em madeira.
Retirada do "Pinterest".
Ser filha das águas não é fácil num mundo tão hostil, porque às vezes somos um transbordo de emoções sim, e ainda mais para quem é mulher e já é socialmente julgada de “sensível demais”, “histérica” e outros adjetivos nada acolhedores.

Mas engana-se quem pensa que emoção é só amor e tristeza, pois a raiva também é uma emoção e muitas vezes as filhas das águas podem ser muito reativas e combativas, como as águas mesmo, que ora são serenas, ora são bravas, ora são profundas, ora são rasas, ora te levam, ora te trazem, ora te banham e ora te tragam.

Especialmente falando de Yemanjá, sinto que ela possui uma abrangência maior do que Oxum, isso não significa ser melhor ou pior e nem níveis de grandeza, mas Yemanjá é mais velha, mais experiente e pouco menos impulsiva do que Oxum, Yemanjá já não é tão mais vaidosa, mas Yemanjá ainda é sim sensual, ou vocês acham que mãe só dá leite e troca fraldas?

Enquanto Oxum é a moça, a experiência e a descoberta da juventude, a Deusa Jovem e Amante, Yemanjá já vive a plenitude, é a mulher que domina os mistérios do Sagrado Feminino, a Deusa Madura que está pronta para se unir ao Sagrado Masculino e criar!

Yemanjá é a maturidade sexual, o seio familiar, o sacerdócio, a compaixão, a fertilidade, a fartura, o cuidado e também a proteção.


Como Yemanjá se tornou Orixá?

Segundo uma lenda Yorubana, Yemanjá era filha de Olokun, que em algumas lendas dizem ser homem e em outras dizem ser mulher, bem eu acredito que seja mulher, uma ancestral do mar. Resumindo a lenda, diz-se que Olokun deixou com ela um frasco com uma poção mágica que só deveria ser usada em caso de necessidade. Um dia Yemanjá concordou se casar, com a condição de que seu marido nunca zombasse de seus grandes seios, pois ela já tivera muitos filhos, e certa vez seu marido chegou bêbado e zombou dos seus grandes seios, então Yemanjá se revolta e quebra o frasco da poção mágica recebida de Olokun, imediatamente ela se transforma num rio que corre para o mar e Yemanjá vai morar para sempre com sua mãe.

Uma saudação Yorubá costuma dizer “Odoyá (Mãe do Rio), Ela não volta mais”. Yemanjá é o puro feminino, por isso ela não volta mais, Yemanjá “encantou”, Yemanjá quando volta para sua Deusa Mãe É então a própria Deusa, Yemanjá é Olokun, Yemanjá é a Deusa do Mar, conhecida por ser a Mãe da Vida e da Nutrição, daí ser a mãe dos peixes, do alimento, e em última análise, da prosperidade também.

Essa é apenas uma das lendas conhecidas sobre Yemanjá.

Que Yemanjá esteja sempre lhe trazendo VIDA! Odoyá!

Deusas similares de outros panteões: Afrodite, Atargatis, Vênus, Lakshmi, Mama Cocha, etc.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Quem é a Deusa?

Ela está em tudo, é Ela quem faz tudo florir e crescer, e também é Ela quem brinca de ceifar tudo quando quer, Ela é o que faz o nosso coração bater e também quem o paralisa, é quem nos dá a vida e nos recebe em seu ventre novamente quando partimos deste mundo.

Imagem: Josephine Wall, "The Three Graces".

Quase todas as atribuições que você aprendeu que eram sobre um deus masculino, na verdade são sobre Ela. A Ela geralmente se atribui mais características terrestres e materiais, e ao deus masculino, mais características sublimes e espirituais, como se a mulher representasse o corpo e o homem o espírito, de alguma forma sempre se fala entre os religiosos e espiritualistas de tradições diversas na transcendência do material, o que novamente coloca o Feminino em segundo plano, como a natureza material a que devemos nos libertar.

Mas o Feminino está além da Mãe Terra, está também na espiral das galáxias, no formato esférico dos planetas, está no vazio onde tudo se cria, no impulso das explosões cósmicas, na Shakti, a potência criativa. Segundo as crenças hindus mais antigas o deus masculino seria a consciência no seu estado de inércia, representado geralmente por Shiva, uma consciência que apenas existe sem interagir com sua criação, como num sonho, a Shakti, o Divino Feminino é a força que realiza, que dá vida e forma às ideias dessa consciência inerte, é Ela a única quem faz Shiva se movimentar, tem um ditado hindu que diz que “Shiva sem Shakti é apenas shava”, shava significa cadáver. A Deusa é a verdadeira doadora e provedora de vida, Ela é a razão da nossa existência, seja ela física, energética, espiritual ou divina.

Meu pranto mais sentido pelos milhares de anos em que estivemos separadas e que eu e tantas mulheres estivemos incompletas sob as sombras de um herói solar, cujo trono é herdado da Mãe, apagando assim o Divino Feminino. O mito da Deusa virginal que dá a luz à uma criança solar que irá governar o mundo se repete em muitas tradições, representando a supressão do Feminino, a substituição da tradição matrifocal e matrilinear por uma sociedade governada por homens.

Esse mito que representa na verdade o movimento da Terra ao redor do Sol e as estações da natureza numa analogia que movimenta forças masculinas e femininas de forma harmoniosa (nascimento, amadurecimento, reprodução e morte), a chamada “Roda do Ano”, foi utilizado para afirmar as divindades masculinas como heróis salvadores da humanidade, como Jesus, Mitra e outros, e as Deusas foram jogadas para as sombras destes heróis como apenas as “mães” mortais, perdendo assim toda a sua infinidade de possibilidades e facetas, e seu Poder, isso quando não apagaram até mesmo as mães...

Foram muitos templos destruídos, imagens quebradas, documentos históricos ocultados e deturpados por motivações políticas de dominação social, curandeiras e mulheres simples do campo jogadas nas fogueiras da inquisição e muito mais. O patriarcado já vinha ocorrendo desde antes de Jesus, mas após ele esse movimento se intensificou e muito com o Cristianismo, que foi propagado aos quatro cantos do mundo, e é motivo de guerra até hoje no Oriente. E foi com essa crença que a grande maioria das mulheres ocidentais como nós fomos criadas, com um deus masculino rígido, um herói masculino filho “único e perfeito” de deus e uma mãe mortal à sua sombra, a Virgem Maria.

No momento de dificuldade soltamos um “ai, meu deus”, ao se despedir de um amigo “fica com deus”, ao agradecer um “deus te abençoe”, ao fazer uma súplica um “pelo amor de deus”, ao se livrar de algum mal um “graças a deus”, e assim nós fomos fixando e programando em nossa psique e no inconsciente coletivo da humanidade que deus é homem, simplesmente a palavra “Deusa” não faz parte do nosso vocabulário, do nosso dia-a-dia, e palavra é Poder, é mantra, é encantamento! Precisamos resgatar a Deusa, precisamos falar e falar dEla centenas de vezes para nossos amigos, familiares, colegas de trabalho, precisamos assumir Ela em nossas vidas e assim recuperarmos nosso próprio Poder que vem dEla.

A Deusa está aí, Ela sempre esteve, Ela está para quem quiser senti-la, Ela está em todos os lugares, em todas as coisas, apenas esperando que você acorde para Ela, que você abra os olhos um dia e se lembre de agradecer a Ela por estar vivo e por todas as dádivas que Ela nos dá.

Que a Deusa abençoe todos nós.

terça-feira, 11 de abril de 2017

II. O “Ritual do Sagrado Feminino” - Parte II

Continuando nossos estudos acerca do "Ritual" do Sagrado Feminino, falemos sobre onde acontecem estes rituais e quem pode ou não participar.



"Somos um círculo, dentro de um círculo, sem começo e sem fim." (Mirella Faur)















Locais Adequados

Por ser um ritual, o ideal é que seja em comunhão com a natureza, então muitas pessoas buscam parques públicos, por exemplo, mas também é importante haver um mínimo de privacidade e resguardo do público e do exterior, então por este motivo acabam-se realizando muitas vezes em salas fechadas alugadas ou na casa de alguém. 



Círculos Abertos e Círculos Fechados

É importante lembrar também da natureza do círculo, vez que existem círculos abertos a público, e círculos fechados, que funcionam como covens ou ordens esotéricas, aonde existem geralmente pelo menos alguns rituais abertos para admissão de novas integrantes, e há ainda círculos que mesclam estas duas práticas, possuem um grupo fechado e realizam rituais públicos eventualmente, então alguns destes círculos fechados podem ter até mesmo locais fixos para seus rituais, como templos e santuários.



Quem são as participantes?

A maioria dos círculos do Sagrado Feminino só admite a participação de mulheres, isto não é regra, mas dado o momento da sociedade é compreensível que as mulheres precisem ainda e muito de um espaço só delas, muito mais do que compartilhar estes ritos com homens que possuam interesse em trabalhar o seu Sagrado Feminino, o que é uma necessidade real para a maioria dos homens, ainda que estes não saibam.

Para alguns rituais não é recomendada a presença de crianças pequenas por conta dos excedentes energéticos do trabalho, isto deve ser conversado particularmente com a facilitadora que irá conduzir o ritual.

Quanto à admissão ou não de mulheres trans, bi ou homossexuais, do meu ponto de vista baseado nas minhas vivências e estudos, o que vigora é a inclusão de mulheres, sejam elas heterossexuais ou não, sejam elas brancas, negras, ricas, pobres, jovens, idosas, mães ou não, com útero ou não, tanto faz, somente cada mulher sabe e pode julgar o quanto ou não precisa do Sagrado Feminino em sua vida. Para mim, tenho que a posição da mulher que dirige um círculo é de acolher, e não de julgar ou excluir baseado no quanto um ser humano pode ser mulher ou não pela sua biologia ou pela sua orientação sexual, acolher está acima de qualquer julgamento. Particularmente não vejo sentido em excluir mulheres trans de um Círculo do Sagrado Feminino, tendo em vista que muitas estão buscando mesmo esta conexão (por vezes recém-descoberta) com algo que vêm de dentro delas e não do seu exterior, a premissa é que Sagrado Feminino e Sagrado Masculino se integram e equilibram todos os seres, então uma pessoa que se identifique com o gênero Feminino terá mais afinidade com o Sagrado Feminino, naturalmente.


Clique  para voltar para a parte I


quarta-feira, 5 de abril de 2017

II. O "Ritual" do Sagrado Feminino - Parte I

O que é esse tal “Círculo de Mulheres” que tanto falam? O que acontece? 

Imagem: Acervo pessoal. Círculo de Mulheres do Sagrado Feminino "Flores de Yurema", São Paulo, 2015.

Este é o primeiro de uma série de Artigos sobre o "Ritual" do Sagrado Feminino que você verá aqui!


A palavra ritual pressupõe uma série de ritos simbólicos que atuam no inconsciente das pessoas de forma profunda, espiritual. A maioria dos encontros hoje chamados de “Círculos de Mulheres” ou “Círculos do Sagrado Feminino” são organizados na forma de Rituais, uns mais simples, outros mais complexos, cada qual à sua tradição seguindo as afinidades e referências de sua (ou suas) facilitadora(s).

Primeiramente, vamos tentar colocar em exemplos simples o que pode ser caracterizado como ritual: acender velas, cânticos às divindades em grupo, danças circulares (no contexto ritual), meditações, orações, comunhão com medicinas ancestrais (Ayahuasca, Rapé, Cachimbo Sagrado, etc), entre outras práticas.


O Ritual na Prática - Guia para iniciantes


De forma geral todo ritual segue preceitos básicos de Magia para que tenha um bom aproveitamento do grupo que está participando e estes preceitos seguem mais ou menos um padrão, mesmo quando feitos sob influências de tradições religiosas-espirituais diferentes, estes preceitos são, basicamente e geralmente nesta ordem: 

- Limpeza energética do ambiente;
- Montagem de um altar ou algo equivalente;
- Limpeza energética das participantes; 
- Criação de um espaço-tempo sagrado (geralmente feita por meio de uma meditação coletiva ou minutos de silêncio a fim de nos desligarmos dos problemas do dia-a-dia para adentrarmos ao Sagrado);
- Apresentação do ritual com explicações sobre as práticas;
- Apresentação das participantes (opcional, mas altamente recomendável);
- Evocação das divindades, espíritos-guias e seres guardiões relativos à egrégora do Círculo e/ou do ritual em específico.

Após esta parte de abertura inicia-se o ritual em si, que pode ter das mais variadas práticas, mas é muito comum se acenderem velas, um caldeirão com fogo, ou mesmo uma fogueira, acenderem incensos para serem ofertados, realizarem-se cantos de mantras ou canções espirituais, fazerem alguma magia cerimonial (atos simbólicos para representar um objetivo mágico a ser atingido) e o mais comum de todos é que se realizem meditações, especialmente as guiadas.

Para o fechamento, geralmente apenas despede-se das divindades e seres evocados e em alguns casos realiza-se alguma prática simples de banimento (ou descarrego) para transmutar e eliminar quaisquer excedentes energéticos que possam ter ficado do trabalho espiritual. Feito isto é comum que se faça uma “roda da palavra” (o termo é da tradição Xamânica norte-americana, mas é amplamente utilizado nos círculos independente da tradição), é o momento aonde as pessoas relatam sobre sua experiência naquele dia e fazem seus agradecimentos. Também pode haver a prática de dança circular com cânticos no sentido de “fechar” o círculo, ou mesmo no sentido celebrativo. Ao final de tudo costuma-se fazer um lanche compartilhado com alimentos naturais e leves, que geralmente também ficam no altar durante os ritos para serem imantados com energias benéficas.


O Ritual na Teoria - O que é trabalhado?

Colocadas todas estas questões mais técnicas e práticas, que sempre podem sofrer variações a depender das referências espirituais da facilitadora/guardiã do círculo, agora falemos sobre a teoria, o que acontece nestes rituais?

A prática segue um roteiro magístico para que o ritual simplesmente aconteça, mas é no conteúdo de cada ritual em si que está a verdadeira magia. Cada ritual costuma possuir certo tema, ou finalidade a ser atingida, de maneira geral, todos os rituais de Círculos de Mulheres do Sagrado Feminino possuem uma finalidade comum de empoderamento da mulher e de “re-sacralização” do Feminino no inconsciente coletivo, no entanto alguns rituais possuem temas mais específicos, é muito comum, por exemplo, que sigam a Roda do Ano, pela tradição Celta, ou por outras tradições Xamânicas, pelo motivo de que a Roda do Ano é na verdade uma forma de ritualizar a própria vida do ser humano em harmonia com os ciclos da natureza ao longo de um ano completo, ou seja, todas as tradições nativas de uma forma ou de outra celebravam e ritualizavam as passagens da natureza (estações do ano, solstícios, equinócios) de forma que estas representam em escala maior fases da nossa própria vida (nascimento, maturidade, morte, em termos simples), então isto é largamente utilizado há tempos por magistas também a fim de aproveitarem as energias telúricas e também do Universo para atingirem seus propósitos, por exemplo, para um ritual de descarga ou limpeza o ideal seria fazê-lo em um momento em que a natureza está em decomposição, estação do Outono.

Mas a Roda do Ano não representa toda a teoria na qual se baseiam os Círculos, nem de longe, tendo em vista que a Roda do Ano é a volta da Terra ao redor do Sol (astro tido como masculino), temos também como referência fortíssima a influência da Lua (astro tido como feminino), então há rituais que se utilizam também (ou somente) das fases lunares, especialmente relacionadas à faces da Deusa para aqueles que cultuam as divindades arquetípicas (exemplos: Lua Nova - Jovem, Lua Cheia - Mãe, Lua Minguante - Anciã, mas existem ainda muitas outras subdivisões para além desta chamada de “tríplice”). 

Existem também pessoas que escolhem seus temas de forma intuitiva ou aleatória, não existe certo ou errado, mas eu, particularmente, considero prudente e mais eficaz levar-se em consideração pelo menos a fase da Lua, haja vista que ela nos influencia muito enquanto mulheres, até mesmo nossos ciclos reprodutivos e humor. E são dentro desses temas que as magias e curas acontecem, que podem ser dos mais variados possíveis, abrangendo: sexualidade, criança interior, relacionamentos conjugais, relações familiares, maternidade e até mesmo dons e talentos profissionais podem ser trabalhados, mas todos acabam trabalhando na cura do Feminino em algum ponto.


No próximo texto falaremos sobre os locais onde acontecem os Rituais e quem pode ou não participar. E mais adiante sobre os motivos de os Rituais serem obrigatoriamente gratuitos, quem pode conduzir estes rituais, e por fim sobre o Sacerdócio no caminho da Deusa. Acompanhe!

Clique para ler a parte II deste artigo

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

I. Culto ao Sagrado Feminino: Introdução

Representação da deusa Gaia do panteão grego e de uma deusa Mãe de origem celta em um altar.


Existem diversas formas de culto ao Sagrado Feminino, mas vou explicar do meu próprio ponto de vista, que é Universalista e é como eu o entendo e pratico. Primeiramente devo esclarecer que o culto ao Sagrado Feminino não deve se confundir com a Bruxaria, pois a Bruxaria abrange muito mais práticas e pode ou não ter seu foco para este tipo de culto, embora possa-se dizer que é uma forma de Bruxaria, ela não representa o seu todo e eu o entendo como uma das formas de se praticar o Xamanismo, senão uma das essenciais.


Introdução Histórica

Da minha interpretação e estudos eu compreendo o Sagrado Feminino como um culto que surge na atualidade para um resgate, ou um acerto Kármico no Planeta Terra. No passado sabemos que houveram sociedades Matrifocais, Matriarcais, diversas formas de culto à Deusa, no entanto, como sempre digo, o caminho é rumo à evolução, então não basta nós simplesmente tornarmos ao passado, senão ignoraremos muito do que adquirimos em consciência nos últimos milênios. Mesmo nas sociedades que cultuavam as deusas ainda haviam guerras, ainda haviam distorções de um ser humano que iniciou sua jornada neste planeta quase totalmente instintivo, como um animal, este lado animal do ser humano é sagrado, faz parte da sua humanidade, de sua integralidade e deve ser aceito também, mas ao longo de nossa existência desenvolvemos uma consciência para além do instinto, isto cientificamente falando, não é especulação!

Como seres totalmente instintivos, por questão de sobrevivência havia harmonia com a natureza e, por conseguinte, reverência. Quando o ser passa a desenvolver maior consciência de si e racionalizar ele passa a se acreditar superior à natureza, que antes era aquela Mãe que o sustentava, o nutria, o abrigava e provia a todas as suas necessidades, era a grande razão de sua ínfima existência. Sendo o racional entendido como o Princípio Masculino e o instintivo-emocional como Princípio Feminino, começa aí a história da nossa “dívida”, na verdade o racional era algo necessário para o nosso desenvolvimento consciente de si e posteriormente de Deus (ou suas divindades), mas fomos de um extremo a outro subjugando, a princípio, a natureza e em seguida, as mulheres, os seres humanos de gênero ou biologia feminina.


Introdução à Prática Atual

Feita esta introdução histórica, vamos à prática atual... Hoje o culto ao Sagrado Feminino visa primeiramente trazer cura emocional e física a muitas mulheres que sofrem com o patriarcado e a supressão do feminino, por isto muito se confunde o mesmo com Terapia Holística, já que é primeiramente uma prática terapêutica. Também é voltado a uma maior consciência ecológica para curar a supressão da Natureza, que seria o Princípio Feminino natural, o macrocosmo que reflete no microcosmo. Curando as mulheres curaremos a natureza e curando a natureza curaremos as mulheres, e até mesmo a humanidade, já que princípios Feminino e Masculino estão em todos os seres, mas na maioria deles o suprimido é o Feminino, enquanto que o Masculino está exacerbado, ultrapassando os limites do equilíbrio do ser.


Todo o Poder está dentro de nós... Os Arquétipos

Dentro destas práticas estão o culto e a prática de magia com deusas arquetípicas de tradições diversas, muitas com aspectos humanizados. Nós, os seres humanos somos os descendentes dos deuses, vejam que diversas tradições nos trazem a informação de que seus deuses habitaram a Terra, o que evidencia isto como uma possível verdade, se você tiver isto como verdade entenderá que muitas das deusas de tradições diversas podem estar geneticamente ligadas a você pelas suas vidas passadas, as deusas são a nossa ancestralidade (assim como os deuses), e numa reflexão mais profunda aonde acredita-se que somos todos poeiras de estrelas que evoluíram desde a explosão da Criação (o tal Big-Bang), TODOS estamos conectados geneticamente, e provavelmente trazemos em nossos genes toda a história da humanidade... Muita informação, né?

Simplificando, estamos todos conectados por memórias ancestrais (algumas tradições chamam de Akasha) e somos todos descendentes dos deuses e deusas, de TODOS eles, muito embora um ou outro se sobressaia, mas ainda não quero aprofundar nesta parte. Seguindo... Com a supressão da natureza e do Princípio Feminino as mulheres, principalmente, ficaram assim “incompletas”, com diversos desequilíbrios, traumas e bloqueios devido à supressão de diversos aspectos de si mesmas (ou das deusas), estes aspectos são o que a Psicologia Junguiana trata por Arquétipos (não que isto seja propriedade de Jung, mas utiliza-se amplamente esta nomenclatura). Quase todas as religiões que cultuam deuses (Politeístas, Mono-panteístas, Panteístas...) trazem neles alguns Arquétipos, o exemplo mais comum é o tríplice (Jovem, Mãe/Pai, Anciões), mas existem muitos mais, assim como a nossa vida também não se limita a apenas sermos jovens, mães e pais, ou velhos, existem nuances em torno disto como o arquétipo Guerreiro, Amante, e até mesmo o da Sombra, então daí já entende-se que não acreditamos no conceito de “pecado” cristão, ou na ideia cristã de “inferno” e nem em um ser supremo oposto ao bem, o tal “diabo”, pois acreditamos na integralidade do ser na sua humanidade, e na sua dualidade que é luz, mas também é sombra, e isto não nos torna ruins, na verdade nos dá a liberdade de sermos conforme somos e sentimos, e também a responsabilidade sobre as consequências de nossos atos negativos, sem que estes sejam atribuídos a uma entidade do mal, daí a importância do equilíbrio de todas estas faces, pois uma pessoa não poderia se defender do mal do mundo sendo apenas “bonzinho” o tempo todo, por exemplo.


Objetivos da Prática Contemporânea

O culto ao Sagrado Feminino contemporâneo então, numa reflexão mais profunda, tem por objetivo, integrar, por meio de rituais, na psique e na alma feminina (ou masculina também) de volta a totalidade de seu Poder, é isto a que muito se chama de “Empoderamento” um conceito do Feminismo que foi de certa forma apropriado por praticantes do culto ao Sagrado Feminino. Sendo assim, a prática frequente dos rituais traz o reequilíbrio da mulher na sua integralidade, trazendo para dentro de si mesma as deusas suprimidas do passado (que são ao mesmo tempo todo o emocional-intuitivo do ser humano suprimido pela racionalização exagerada da atualidade), a Jovem que nos ensina a termos pureza e espontaneidade, a Amante que nos ensina a lidar com nossa sexualidade e sensualidade, a Mãe que nos ensina a acolher e cuidar, a Guerreira que nos ensina a nos defender e lutar por nossos objetivos, a Velha que nos ensina a sabedoria do tempo, a Sombra que nos ensina a trazer luz para a nossa escuridão interior e aceitar nosso lado mais oculto, e assim por diante...

E no momento em que as mulheres começam a acolher estas deusas dentro de si, elas se voltam à natureza mais instintiva do ser humano, aquela mesma do início do texto, no início da história aonde o ser vivia em harmonia com o planeta Terra, sua fauna, flora, e seus ciclos, por sobrevivência, e agora que adquire consciência e equilíbrio, com reverência consciente, pois agora é consciente dos deuses tanto dentro como fora de si.


Semelhanças e Diferenças Rituais e Religiosas

Vejam que os rituais do Sagrado Feminino servem para curar, equilibrar e reintegrar algo que já nos pertence, diferente de práticas de Bruxaria que visam fins dos mais diversos, tanto para o bem, como para o mal, a depender do caráter daquele que a pratica, muitas vezes são para para obter vantagens e bens materiais, mas a pessoa que pratica o culto ao Sagrado Feminino não precisa se preocupar com isto, pois quando estiver íntegra e em harmonia tudo o que lhe pertence chegará até você. Se a pessoa estiver sofrendo por amor, esta deve se integrar e se conectar ao arquétipo Amante em vez de fazer um ritual no intuito de “amarrar” alguém, ou até mesmo de encontrar um novo amor (que pode ser um ritual inofensivo), mas mais vale você SER a expressão do amor, que a própria expansão de sua energia atrairá pessoas de vibrações afins que também estão expressando o verdadeiro amor.

Ainda podemos perceber uma afinidade sutil com a religião de Umbanda no sentido de que alguns dos Arquétipos podem ser semelhantes e possuem algo a nos ensinar, mas temos que a missão da Umbanda nesse sentido é integrar o ser em sua totalidade, e já a do culto ao Sagrado Feminino é a de reequilibrar os pólos Feminino e Masculino do Planeta Terra por meio da cura do Princípio Feminino suprimido, nas mulheres, na humanidade e na natureza, assim fazendo também um resgate kármico da humanidade pelo patriarcado.


Leia mais sobre o Sagrado Feminino:

Sagrado Feminino: O Chamado da Deusa


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sagrado Feminino: O Chamado da Deusa

O chamado da Deusa é quando você sente essa afinidade pelo culto ao Sagrado Feminino, não é que você não tenha um Deus, não é que a Deusa se sobreponha ao Deus, simplesmente a sua missão é com Ela.

Existem inúmeras formas de se praticar ocultismo, magia, paganismo em geral, xamanismo, bruxaria e o que mais quiser chamar, disso sabemos, porém há religiões e cultos mais voltados ao Divino Feminino, centrados na Mãe, isto não significa que ignora-se o Masculino, ou a ideia de um Deus, nem mesmo precisa-se colocar um sobre o outro, apesar de que há muitos cultos antigos que colocam a Mãe (a Deusa) como a verdadeira Fonte de tudo, a verdadeira Criadora. Já há cultos que reverenciam o Deus e a Deusa em igual importância, até mesmo no xamanismo latino-americano (Pai-Céu e Mãe-Terra), entre outros.

O que é o chamado da Deusa? Isto têm mais a ver com a sua missão de vida do que você pensa, simplesmente, como há pessoas que possuem dons para trabalho manual e outras dons para trabalhos mais introspectivos, umas com facilidade em humanas, outras com facilidade em exatas, assim é na vida espiritual, há pessoas com inclinação para crer em uma Divindade impessoal, uma energia, há pessoas com mais inclinação para crer em Divindades da Natureza, há pessoas que possuem mais inclinação para crer em Divindades Arquetípicas de uma tradição, ou de outra e assim vai, pelo motivo de que nossas energias são diferentes, nosso lugar no mundo é diferente, cada um possui algo que é só seu, isso é muito notado quando se começa a entender astrologia, na análise do Mapa Astral, você entende qual é o seu lugar neste mundo, que é intransferível, e tudo bem, não devemos tentar nos adaptar a uma crença porque esta nos parece a mais correta, mas encontrar aquela que verdadeiramente faz o nosso coração vibrar. Então o chamado da Deusa é quando você, seja homem, mulher, gay, bi, trans ou a orientação que for (isto não influencia muito) sente essa afinidade pelo culto ao Sagrado Feminino, não é que você não tenha um Deus, não é que a Deusa se sobreponha ao Deus, simplesmente a sua missão é com Ela, por diversos motivos que não sabemos que provavelmente se iniciaram lá nas suas vidas passadas.

Não existe um padrão de culto ao Feminino geral mundial, e nem poderia, pois sairia da forma modular, feminina, esférica, passível de transformar e adaptar e partiria-se para um sistema patriarcal, linear, sistêmico, e pouco intuitivo. Como recomendam também os grandes nomes das ciências espirituais do Sagrado Feminino, é importante tentar-se recriar os cultos conforme eles eram feitos na antiguidade, porque a simbologia da ritualística produz a catarse necessária no mental dos adeptos recriando a egrégora espiritual de afinidade (provavelmente de vidas passadas) causando inclusive regressões espontâneas. Isto não significa que tenha que se cultuar Deusas Arquetípicas (Divindades das mitologias, com aspectos mais humanizados, com nomes, gostos pessoais, aparência física e diversas características), embora estas sejam de exímio auxílio, especialmente no caminho de autoconhecimento da mulher, são opcionais, no espiritual o que não pode é forçar, e mesmo aquelas pessoas que só conseguem conceber a ideia de Divindade como uma energia impessoal (lembrando mais uma vez que isto não está errado, é apenas uma forma de ver a Divindade, que TAMBÉM é uma energia impessoal), estas podem sim centralizarem seu culto no Sagrado Feminino se assim sentirem de coração o chamado.

Nos cultos pré-babilônicos, da idade das cavernas e etc, a Deusa não tinha nome, foi muitas vezes representada como uma simples espiral, ela não tinha nome pois nem existia a fala como conhecemos, nem as palavras e nem mesmo muitos dos símbolos e assim se deu o culto, é primitivo? Não, é essencial, e também é especial saber sentir a essência.

Seja cultuada como Mãe Terra, como energia impessoal, como uma Divindade Personificada (Arquetípica) ou não, Ela está aí, e está a chamar pelos seus filhos e filhas, é claro que esse culto se torna mais comum entre mulheres pela sua biologia e até mesmo pelo seu espiritual e emocional que difere-se do homem. Nesses tempos em que houve grande supressão das mulheres e da natureza (que também é feminina e considerada uma Mãe, majoritariamente entre os pagãos) fez-se necessário o renascimento dos cultos centralizados na Deusa para retomar o equilíbrio do Planeta, isto significa que algumas pessoas seguirão por este caminho, e na bruxaria, no xamanismo, no paganismo, não tem certo e nem errado, tem apenas o caminho do coração, tem o respeito ao próximo, e tem a aceitação da sua própria natureza.

Este artigo objetiva dar um norte àquelas pessoas que estão buscando a espiritualidade e não se encaixam nos cultos/religiões mais populares, mais especialmente por aquelas que sentem o chamado ao Divino Feminino (meu caso), o que quero dizer é que você pode sim centralizar o seu culto ao Feminino, existem literaturas que vão te ajudar neste caminho (recomendo Círculos Sagrados Para Mulheres Contemporâneas, O Legado da Deusa e O Anuário da Grande Mãe - todos estes de Mirella Faur, A Religião da Grande Deusa de Claudio Crow Quintino, entre outros), eu também estou aqui para ajudar no que for possível, pois me coloco como uma missionária do Sagrado Feminino, mas o mais importante neste momento é que você que sentiu o chamado confie no seu coração, pois será dele que muito do seu culto irá se formar e manifestar, da sua própria intuição e de recordações de vidas passadas que estão começando a serem reveladas para muitas pessoas. Ah, mas eu disse que era importante recriar os cultos originais, e sim, é, mas muitos deles se perderam no tempo, por isto a importância da intuição de quem recebeu a missão, os livros que citei, este texto e outros rituais que você encontrará na internet são bases, inícios para que depois seja você e Ela, pois todo o Poder está dentro de nós.



Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.