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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Espiritualidade dos Animais: Animais de Poder

Nas tradições Xamânicas Norte-Americanas o Lobo é um dos principais Animais de Poder, relacionado à direção Sul e ao arquétipo da criança interior, assim como o Coiote. 


Os Animais de Poder, também chamados de Animais Aliados são seres espirituais que nos acompanham durante a nossa vida. Como podem saber, em diversas mitologias, senão todas, também existem animais místicos com poderes geralmente extraordinários que acompanhavam os Deuses.

Os animais sempre tiveram um papel muito importante no Xamanismo, pois uma vez que a Natureza foi a nossa primeira concepção de Divindade, à sua fauna por vezes também foram atribuídas características de sacralidade. Quando o homem passou a observar o comportamento animal foi aos poucos percebendo características específicas que ele próprio poderia não possuir, como agilidade, coragem, destreza, e até mesmo fidelidade, astúcia e docilidade. Com esta observação passaram a comungar com partes de determinados animais na intenção de obter suas qualidades (assim como o canibalismo, que foi uma forma de crença na qual alimentando-se do corpo do oponente ganharia-se assim suas qualidades de bom guerreiro), então passaram a não somente alimentar-se da carne animal (aqueles que possuíam a carne em sua dieta) mas também a guardar ritualisticamente peles de animais, garras, dentes, chifres, entre outros.

As primeiras tradições espirituais-religiosas existentes no mundo acredita-se tenham sido em sua maioria animistas, ou seja, acreditavam que todos os seres possuíam uma alma que as animava e desta forma acreditavam comungar com estas almas de seres já falecidos através da representação (encenação) de seu comportamento, vestindo suas peles, chifres, etc, e atuando a fim de trazer suas qualidades para si próprios. Foi daí que surgiu também o culto aos ancestrais, preservando-se seus elementos vitais (cabelos, unhas, dentes, etc), mas também posteriormente suas vestes e acessórios pessoais, guardando na memória seus trejeitos e habilidades pessoais, dando origem então ao costume de incorporação de entidades espirituais guias, que nada mais são do que os ancestrais da humanidade.

Então foi mais ou menos assim que iniciou-se a crença no Animal de Poder, de geração a geração foi-se transmitindo as histórias e suas heranças materiais (os elementos dos animais pertencentes aos anciões de uma família, tribo ou agrupamento), o que fez com que alguns animais fossem considerados seus Animais Totens Familiares (Animal de Poder da Família). As famílias dos índios nativos norte-americanos, por exemplo, esculpiam seus totens em pedra, geralmente. O totem enquanto objeto é o símbolo cultuado por uma família ou tribo, sua etimologia tem origem na palava "dodaim" (aldeia ou agrupamento familiar), ele acaba representando de alguma maneira a história ancestral da família e é uma forma de culto aos Animais de Poder, que também são chamados de Animais Totens (porque de alguma forma ainda acredita-se serem herança de família).

Na atualidade, após o surgimento da Psicologia Junguiana acaba-se por atribuir aos Animais de Poder o conceito de arquétipo do inconsciente coletivo, assim como é atribuído aos Deuses e Deusas das mitologias antigas, o que não deixa de ser uma forma válida e real de se trabalhar com essas energias, auxiliando processos terapêuticos, entretanto em cultos neo-xamânicos e magísticos mais tradicionais ainda se atribui ao Animal de Poder um caráter sacralizado, não equiparado ao das Divindades, mas o de espírito/alma-guia, além disso existe a ideia de Animal Interior que geralmente nas literaturas está contida como também um Animal de Poder, a esta ideia fica mais adequado o conceito de arquétipo de Jung, do que a do Animal de Poder que se entende ser uma entidade externa ao magista.

Segundo a maioria das tradições todos temos um Animal Interior que é aquele ao qual mais nos identificamos a nível de personalidade, pelo menos quatro Animais de Poder relacionados aos quatro elementos e/ou quatro direções, outras ainda afirmam a existência de um animal da direção considerada "acima" e da "abaixo" (geralmente os de cima são aves, em alguma tradições diz-se que todos possuem a Águia acima) e os da "direita" e da "esquerda", e ainda há a ideia de um Totem considerado Familiar ou que represente a família toda em sua origem ancestral (ainda podemos encontrar animais nas imagens dos brasões de família dos sobrenomes mais tradicionais). Na maioria das tradições Xamânicas dá-se às quatro direções Animais de Poder guardiões gerais (que não são aliados de uma pessoa específica), os animais variam conforme as tradições por causa da fauna dominante de cada região.

Sendo assim, entendemos que o Animal de Poder é um espírito desencarnado de um animal que passou por uma evolução espiritual ao qual ele se eleva a um nível superior do que o de mero espírito desencarnado, ou seja, sai do ciclo de reencarnações, da roda do Samsara e parte para um reino "encantado" do qual pouco se tem conhecimento ou registro por ter sido transmitido via oral pelos nativos das mais diversas regiões do mundo, mas que pode-se ter acesso por meio do desenvolvimento espiritual, especialmente quando da comunhão com Plantas de Poder, há inclusive a crença de que estas plantas possuem reinos ou dimensões próprios, nos quais seres tais como Animais de Poder relacionados a própria planta enquanto Ser Divino habitam, isto é evidenciado especialmente nas narrativas de Carlos Castañeda.

O Animal de Poder pode se manifestar na vida de uma pessoa através de sonhos, visões (mirações), "incorporação" ou atuação (estes últimos geralmente ocorrem em contextos rituais), a própria presença de determinada espécie animal de forma espontânea e recorrente, ou de seus elementos (penas, ossos, pele, garras, dentes, etc). Por serem de origem ancestral e também pelo fato de existirem para além da tridimensionalidade podem ter características consideradas fantásticas, por exemplo: dragões, fênix, unicórnios, cavalos alados (com asas), entre outros.

Para um contato induzido (não espontâneo) com Animais de Poder, pode-se recorrer à meditações, rituais e jornadas xamânicas com ou sem Plantas de Poder, através de estados alterados de consciência. Também existem oráculos com esta finalidade, eu mesma trabalho com o baralho de animais "Cartas Xamânicas" editado pela Rocco e criado por Jamie Sams e David Carson, e posso dizer que são especialmente exímias ferramentas de cura e autoconhecimento, caso haja algum interesse em agendar um atendimento, entre em contato na minha página do facebook.



Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

Nome Espiritual e Nome Mágico

Quem realmente somos?

Quase toda a humanidade vive um conflito interno comum já há um longo tempo, que se resume em "Quem realmente somos?", "Quem queremos ser?" e ainda o "Quem deveríamos ser?".

O nome é uma chave importante para um buscador em seu processo de autoconhecimento. No ocidente as pessoas têm o hábito de escolher nomes "a toa", é comum quando se pergunta aos pais porque nos deram determinado nome que estes respondam "porque eu achei bonito", ou pior "porque era o nome da fulaninha da novela", rs... Tudo bem, tudo têm uma razão de ser, até isto, senão não teríamos nascido no ocidente e nem com estes pais.

No oriente os nomes já têm um significado mais profundo, geralmente o primeiro nome (quando a criança nasce) é dado pelos pais ou pelo Guru da família, mas mesmo dado pelos pais, sempre é um nome com um significado auspicioso para trazer boa sorte, prosperidade, etc. Assim que as crianças nascem é de praxe levá-las até gurus e sábios para fazer consultas, mapas astrológicos e especular sobre qual será o futuro daquela criança, quando chegam na idade do rito de passagem entre criança e adulto (não se dá muita atenção para o intermediário "adolescente" como no ocidente), geralmente recebem um nome novo, um segundo nome que geralmente é dado pelo Guru escolhido pela própria pessoa como seu Mestre Espiritual, este nome chamamos de Nome Espiritual.

Os indígenas também possuem a tradição de nomes espirituais, geralmente seu nome diz sobre o que você faz, mas nas tradições indígenas o que nós fazemos não é uma ocupação formal, social para ganhar dinheiro como é em nossa sociedade urbana, o que cada um faz é muito importante e essencial para manter a "teia" da tribo, cada um cumprindo seu papel, que quase sempre está ligado aos verdadeiros dons de cada um. Uma curiosidade é que na tradição Guarani brasileira (ao menos a que eu conheço) os bebês não recebem nome quando nascem, são chamados de algo equivalente a "neném" até que completem um ano, quando se dá o seu batismo pelo Pajé (também chamado de Padrinho) da tribo. Eles têm muitos nomes iguais, segundo eles o seu nome representa de onde o seu espírito veio (esta é uma pergunta que o Pajé faz cantando e recebe do Grande Espírito a resposta, o nome), e qual a sua missão de vida. Eu tive a honra de passar por um batismo Guarani na Aldeia Tekoa Pyau (São Paulo, SP) há uns anos atrás, e recebi a benção do nome Kerexu Mirim (Pequena Matriarca), os índios disseram que eu seria uma mulher que teria muitos filhos ou que seria uma pessoa que acolheria a muitos como uma mãe, o que reforçou a fé na minha missão espiritual.

O Nome Espiritual é um nome sempre recebido, seja por um Mestre/Guru encarnado, seja por Mentores ou Guias Espirituais, o fato de que o nome seja recebido não significa que este nome foi-lhe dado neste momento, este nome pode sim representar a sua essência espiritual (alma) e por isto por vezes é em línguas/dialetos antiquíssimos ou até mesmo desconhecidos, a depender da origem de nossa essência espiritual, fato de que temos pouco conhecimento ainda, mas atualmente especula-se seja extraterrestre.


Nomes espirituais não pedem nenhum sigilo pois eles nos apresentam não somente ao espiritual, mas também a sociedade em nosso novo status, por isso é geralmente utilizado por sacerdotes, monges e pessoas que escolhem renunciar a vida material para viver integralmente seu status de essência espiritual, integrando-se  a esta identidade a fim de abraçar por definitivo a missão espiritual.
A admissão de um nome espiritual publicamente significa a morte para a vida comum (até mesmo familiar, pois o nome de registro vem da família biológica) e o renascimento para a vida espiritual, que é a vida eterna, onde nossa família se torna a grande família cósmica, ou seja, todos os seres que existem.
Atualmente há pessoas recebendo nomes espirituais de forma intuitiva, mais do que antigamente, acredito, especialmente pela abertura espiritual que vem se dando pela comunhão com as Plantas de Poder, e também provavelmente por conta da transição do nosso planeta, por isso a importância de falar sobre este assunto, pois em algumas tradições (hindus, por exemplo) mais rígidas você só pode receber o nome do seu Mestre Espiritual encarnado, ou se intuir, somente este Mestre pode confirmar e validar o nome.

Sri Prem Baba diz sobre o assunto: “Você não é um nome. A divina presença não pode ser classificada por um nome, mas para auxiliar no ancoramento da lembrança de si mesmo, às vezes, você recebe um nome que lhe é dado para que essa presença divina se manifeste através de você. Esse nome tem o poder de um mantra; é uma forma de evocar a divina presença que habita no seu corpo. Mas, o ego pode facilmente se apropriar disso e você pode se envaidecer. Portanto, para que o nome espiritual seja um instrumento de desenvolvimento espiritual, ele deve ser dado pelo seu Mestre, pois ele sabe qual é o momento certo para isso; ele sabe quando você está pronto para usar essa chave. Em algumas situações, o devoto intui um nome, mas somente o Mestre espiritual pode validá-lo; somente o Mestre pode lhe dar esse presente, a fim de evitar algum prejuízo na sua evolução e para evitar que haja uma cisão ainda maior na sua personalidade.” (Flor do Dia - 19/08/2013)

Eu concordo em partes, esta rigidez ainda serve para direcionar as pessoas e evitar equívocos, ocorre que em tempos de despertar isto vem aos poucos se tornando defasado, pois o acesso ao que chamamos Mestre Interior (Eu Superior, Divina Presença, etc) está ficando cada vez mais claro, as pessoas precisam cada vez menos de Mestres e Doutrinas, pois estão aprendendo a se guiarem e estão conhecendo a sua natureza espiritual.


Há ainda outra questão, nem sempre o nome recebido é o seu nome espiritual em definitivo, muitas vezes este nome é apenas o nome que você precisa nesta fase da sua vida para ancorar determinadas energias, assim como quando uma pessoa escolhe um nome mágico.

O Nome Mágico é um nome intuído, recebido ou escolhido propositalmente (busca-se significados, numerologia, etc) a fim de trazer determinada energia para a vida da pessoa, é mais comum entre os praticantes de magia que se denominam Bruxos (pois quase todo mundo pratica magia, seja dentro de uma doutrina ou não). Algumas religiões fundamentadas na bruxaria dizem que o nome mágico deve ser guardado em segredo, visto que outras pessoas poderiam utilizá-lo para lhe atacar, isso faz muito sentido, porque com o seu nome de registro numa "mandinga" já conseguem fazer estragos, imagine com o nome mágico, mas eu acredito que guardar em segredo ou não seja uma questão muito particular do que cada um acredita, e também sempre devemos pensar em meios de nos proteger, a maior proteção neste caso é a ausência de vaidade, quando a pessoa começa a "cantar pelos 4 cantos do mundo" seu nome mágico e contar para muitas pessoas isso pode gerar inveja e incômodo. O que eu recomendaria, particularmente, é você só utiliza-lo quando estiver lidando com a magia, se você tiver um blog ou site, ou se você for um palestrante, ou algo do tipo é natural que precise manter seu nome mágico de certa forma público, então reforce suas proteções.

Bem, através do seu nome de registro (familiar), que também não é por acaso você pode iniciar um caminho de autoconhecimento, você pode procurar pelos significados de cada nome, pode procurar a história da sua família (sobrenome), se você tiver como fazer uma árvore genealógica também seria fantástico (um dia farei uma), há sobrenomes que possuem brasões, os brasões são compostos de imagens e símbolos os quais possuem também significados, e você pode consultar também a numerologia do nome. Com tudo isto você terá uma base dos pontos fortes e fracos em seu nome e poderá refletir sobre o que pode ser melhorado na sua personalidade, excessos e carências, assim como diz o Prem Baba, o nome é como um mantra, imagine que seu nome significa "Sensível", agora imagine que as pessoas passaram a vida inteira te chamando e se referindo a você com este nome, no mínimo você terá sensibilidade em excesso e isso provavelmente irá te atrapalhar. Infelizmente é burocrático mudar o nome de registro, e na verdade nem é tão necessário, já que a sua essência integra tudo o que é o seu ser, passado, presente e futuro, mas pode-se mudar alguma letra, alguma coisinha, ou usar mais um sobrenome do que outro nos usos mais comuns (redes sociais, etc) a fim de tentar corrigir alguma coisa, eu por exemplo, após quase uma vida inteira utilizando mais o sobrenome do meu pai, recentemente optei usar nas redes sociais (em segundo plano, em primeiro está meu nome espiritual) o sobrenome da família da minha mãe, em honra a minha ancestralidade feminina, apesar de vir também de um pai este sobrenome (o meu avô), são pequenas coisas que corrigem grandes coisas às vezes, neste caso podemos citar a inconsciente negação da mãe e do feminino.

Entendidas as falhas e qualidades do seu nome de registro ou familiar, chegou o momento onde você pode pensar na possibilidade de adotar um nome mágico, porque o nome espiritual, ele vêm quando tem de vir, não conheço outros meios de obtê-lo senão que por iniciação de um Guru nas tradições orientais, lembrando que o nome recebido pode não representar a sua essência espiritual (digo por experiência própria).

Então voltamos lá ao início do post: "Quem deveríamos ser?", esta resposta está no nosso nome de registro, esta pergunta é mais sobre o que nós acreditamos que deveríamos ser, por ser o que nos foi imposto socialmente, então o nome "normal" representa nossa vida comum, social, burocrática e se for a fundo, a nossa vida ilusória. "Quem queremos ser?", aqui entra o seu nome mágico, o que você quer ser? Se você é tímido, você quer ser mais comunicativo provavelmente, e assim vai, aqui é onde você abre as possibilidades de melhorar a sua vida e a sua personalidade e corrigir algumas falhas. Corrigidas as falhas (não tudo, claro, porque neste mundo perfeição não existe) talvez seja o momento da reflexão mais profunda sobre você mesmo "Quem realmente somos?", aí que está o nome da sua essência espiritual, que na verdade nem é muito um "nome", veja o exemplo do Prem Baba (Pai do Amor), é algo que define essencialmente aquilo que somos. Eu Sou Vandana Shakti (Aquela que reverencia o Divino Feminino).


Não se fruste por não obter um nome espiritual tão cedo, tudo há seu momento na vida e entendo que quando não temos ainda este nome é porque temos algo a nos reconciliar com nosso passado na vida terrena para poder assumir a responsabilidade de quem realmente somos que é a Integração, e jamais a negação de nenhuma parte de nós, eu mesma demorei quase 2 anos para assumir este nome publicamente, então não tenham pressa, a pressa nos faz lidar com coisas as quais não temos um bom preparo.

Então prepare-se para se conhecer, estude seu nome de registro, estude sua família, sua ancestralidade e comece a indagar sobre quem você realmente é, somente num caminho de autoconhecimento podemos retomar o contato com a nossa essência espiritual, é sempre pela missão, reflitam sobre isto.


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com

sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Sagrado Feminino: O Chamado da Deusa

O chamado da Deusa é quando você sente essa afinidade pelo culto ao Sagrado Feminino, não é que você não tenha um Deus, não é que a Deusa se sobreponha ao Deus, simplesmente a sua missão é com Ela.

Existem inúmeras formas de se praticar ocultismo, magia, paganismo em geral, xamanismo, bruxaria e o que mais quiser chamar, disso sabemos, porém há religiões e cultos mais voltados ao Divino Feminino, centrados na Mãe, isto não significa que ignora-se o Masculino, ou a ideia de um Deus, nem mesmo precisa-se colocar um sobre o outro, apesar de que há muitos cultos antigos que colocam a Mãe (a Deusa) como a verdadeira Fonte de tudo, a verdadeira Criadora. Já há cultos que reverenciam o Deus e a Deusa em igual importância, até mesmo no xamanismo latino-americano (Pai-Céu e Mãe-Terra), entre outros.

O que é o chamado da Deusa? Isto têm mais a ver com a sua missão de vida do que você pensa, simplesmente, como há pessoas que possuem dons para trabalho manual e outras dons para trabalhos mais introspectivos, umas com facilidade em humanas, outras com facilidade em exatas, assim é na vida espiritual, há pessoas com inclinação para crer em uma Divindade impessoal, uma energia, há pessoas com mais inclinação para crer em Divindades da Natureza, há pessoas que possuem mais inclinação para crer em Divindades Arquetípicas de uma tradição, ou de outra e assim vai, pelo motivo de que nossas energias são diferentes, nosso lugar no mundo é diferente, cada um possui algo que é só seu, isso é muito notado quando se começa a entender astrologia, na análise do Mapa Astral, você entende qual é o seu lugar neste mundo, que é intransferível, e tudo bem, não devemos tentar nos adaptar a uma crença porque esta nos parece a mais correta, mas encontrar aquela que verdadeiramente faz o nosso coração vibrar. Então o chamado da Deusa é quando você, seja homem, mulher, gay, bi, trans ou a orientação que for (isto não influencia muito) sente essa afinidade pelo culto ao Sagrado Feminino, não é que você não tenha um Deus, não é que a Deusa se sobreponha ao Deus, simplesmente a sua missão é com Ela, por diversos motivos que não sabemos que provavelmente se iniciaram lá nas suas vidas passadas.

Não existe um padrão de culto ao Feminino geral mundial, e nem poderia, pois sairia da forma modular, feminina, esférica, passível de transformar e adaptar e partiria-se para um sistema patriarcal, linear, sistêmico, e pouco intuitivo. Como recomendam também os grandes nomes das ciências espirituais do Sagrado Feminino, é importante tentar-se recriar os cultos conforme eles eram feitos na antiguidade, porque a simbologia da ritualística produz a catarse necessária no mental dos adeptos recriando a egrégora espiritual de afinidade (provavelmente de vidas passadas) causando inclusive regressões espontâneas. Isto não significa que tenha que se cultuar Deusas Arquetípicas (Divindades das mitologias, com aspectos mais humanizados, com nomes, gostos pessoais, aparência física e diversas características), embora estas sejam de exímio auxílio, especialmente no caminho de autoconhecimento da mulher, são opcionais, no espiritual o que não pode é forçar, e mesmo aquelas pessoas que só conseguem conceber a ideia de Divindade como uma energia impessoal (lembrando mais uma vez que isto não está errado, é apenas uma forma de ver a Divindade, que TAMBÉM é uma energia impessoal), estas podem sim centralizarem seu culto no Sagrado Feminino se assim sentirem de coração o chamado.

Nos cultos pré-babilônicos, da idade das cavernas e etc, a Deusa não tinha nome, foi muitas vezes representada como uma simples espiral, ela não tinha nome pois nem existia a fala como conhecemos, nem as palavras e nem mesmo muitos dos símbolos e assim se deu o culto, é primitivo? Não, é essencial, e também é especial saber sentir a essência.

Seja cultuada como Mãe Terra, como energia impessoal, como uma Divindade Personificada (Arquetípica) ou não, Ela está aí, e está a chamar pelos seus filhos e filhas, é claro que esse culto se torna mais comum entre mulheres pela sua biologia e até mesmo pelo seu espiritual e emocional que difere-se do homem. Nesses tempos em que houve grande supressão das mulheres e da natureza (que também é feminina e considerada uma Mãe, majoritariamente entre os pagãos) fez-se necessário o renascimento dos cultos centralizados na Deusa para retomar o equilíbrio do Planeta, isto significa que algumas pessoas seguirão por este caminho, e na bruxaria, no xamanismo, no paganismo, não tem certo e nem errado, tem apenas o caminho do coração, tem o respeito ao próximo, e tem a aceitação da sua própria natureza.

Este artigo objetiva dar um norte àquelas pessoas que estão buscando a espiritualidade e não se encaixam nos cultos/religiões mais populares, mais especialmente por aquelas que sentem o chamado ao Divino Feminino (meu caso), o que quero dizer é que você pode sim centralizar o seu culto ao Feminino, existem literaturas que vão te ajudar neste caminho (recomendo Círculos Sagrados Para Mulheres Contemporâneas, O Legado da Deusa e O Anuário da Grande Mãe - todos estes de Mirella Faur, A Religião da Grande Deusa de Claudio Crow Quintino, entre outros), eu também estou aqui para ajudar no que for possível, pois me coloco como uma missionária do Sagrado Feminino, mas o mais importante neste momento é que você que sentiu o chamado confie no seu coração, pois será dele que muito do seu culto irá se formar e manifestar, da sua própria intuição e de recordações de vidas passadas que estão começando a serem reveladas para muitas pessoas. Ah, mas eu disse que era importante recriar os cultos originais, e sim, é, mas muitos deles se perderam no tempo, por isto a importância da intuição de quem recebeu a missão, os livros que citei, este texto e outros rituais que você encontrará na internet são bases, inícios para que depois seja você e Ela, pois todo o Poder está dentro de nós.



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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Espiritualidade dos Animais: Animal Familiar

Animal familiar é aquele que acompanha a família em seu caminho de evolução, reencarnando no âmbito da mesma família para evoluir em conjunto.

Primeiramente, gostaria de dizer que todo animal que cruza o nosso caminho possui algo a nos ensinar, é importante estar atento a tudo o que nos rodeia para observar os sinais da Natureza Divina. Nenhum animal por pequeno que seja deve ser ignorado, nunca duvide da grandeza de um animal pelo seu pequeno porte.


Bem, o que se especula por aí é que o animal familiar é um espírito humano encarnado no corpo de um animal (geralmente doméstico), que escolheu estar ali para auxiliar uma pessoa que irá trabalhar com magia, não vou invalidar o estudo alheio, mas aponto algumas falhas que encontrei nesta linha de pensamento antes de expor o que venho compartilhar:

A primeira questão é que hoje em dia (em tempos pós-inquisitórios) não é tão necessário que as coisas se mantenham tão escondidas, pode ser que num passado remoto quando corríamos risco de ir para a fogueira algo assim pudesse acontecer (?) para preservar as identidades das pessoas, sua segurança, etc. Hoje, pensando bem, seria necessário? Não seria mais fácil este ser encarnar como um amigo, um pai, um mestre que surgirá no caminho do seu tutelado? Pense.

A segunda falha principal é que espírito humano é espírito humano, espírito de cachorro é espírito de cachorro, na verdade, pouco sabemos sobre como funciona a espiritualidade dos animais (a níveis teóricos), fato é que sabemos que os espíritos de animais, especialmente os selvagens, os muito pequenos (como os insetos) e os que vivem em grupo não possuem tanta individualidade como possuímos enquanto humanos, é perceptível nas suas comunicações a longas distâncias seguindo um "macho alfa" por exemplo, estão conectados, já observaram que os pássaros, peixes, etc migram juntos sem "conversarem" um com o outro e combinarem para onde vão? Além disto, é majoritário o consenso entre os estudiosos das ciências espirituais de que existe uma linha evolutiva das espécies terrestres, ou seja, segundo esses estudos, para eu reencarnar como um animal, eu teria que regredir na minha evolução (que supõe-se iniciou como um átomo primordial, que veio a tornar-se célula, bactéria, peixe, réptil e assim por diante até chegar no espírito humano), nem todas as linhas admitem este pensamento da regressão evolutiva, mas as que admitem explicam que você precisa cometer faltas graves para passar por isto, por exemplo: matar animais (segundo a cultura indiana Vaisnava). Bem, expondo tudo isto, imagine a complexidade de um ser que é um espírito humano tendo que se metamorfosear em um espírito de animal (com seu corpo energético, inclusive, etc) para reencarnar no "gatinho preto", parece que algumas leis universais seriam "burladas" para que isto pudesse acontecer, mas eu realmente não duvido de nada.


O que vou compartilhar a seguir  é um ensinamento essencialmente xamânico e me transmite veracidade:

Animal familiar é aquele que acompanha a família em seu caminho de evolução, reencarnando no âmbito da mesma família para evoluir em conjunto.

Quando respeitamos e honramos a morte de um animal como um membro da família, aceitamos este animal como o animal familiar que irá evoluir conosco.

Quando você honra a morte do seu animal e faz o rito de passagem dele como um membro da família é como dizer para o Universo que aceita o "Totó" como animal familiar. É importante, inclusive, manter algum elemento dele (dente, pêlos, unhas, etc) em uma bolsinha de talismãs, um(a) boneco(a) ancestral, ou de qualquer outra forma honrosa de preservar o seu DNA como algo sagrado.

Os animais domésticos podem reencarnar na mesma família por ligações kármicas, isto não o torna ainda assim um animal familiar, o animal familiar integra o Dharma da família, ou seja, a missão, evolui junto.

Então entendemos que como uma criança que fora adotada, apesar de não ter o laço sanguíneo, possui ligação espiritual com a família, assim são os animais, por isto é preciso responsabilidade ao adotar um animal, porque eles são membros da família e sua missão é nos ensinar por sua pureza e simplicidade, e assim como na família humana temos ligações kármicas a acertar, temos também com os animais, e também temos as ligações dhármicas. O Dharma principal de todo ser vivente é evoluir e podemos partilhar desta consciência também com nossos animais domésticos, oferecendo a eles uma vida espiritualizada.

Como identificar se o meu animal é um animal familiar?

Se você não teve nenhum animal nesta vida para ter feito o rito de passagem adequado dele (respeitando seu tempo de morte, inclusive), pode ser que você tenha tido em uma vida passada, se você foi de alguma tradição xamânica ou mística, talvez você tenha feito o rito de passagem do animal, então se você tiver um animal doméstico observe se ele se diferencia dos demais animais, se possui mais sensibilidade espiritual, mais características humanas (porque está evoluindo) e se ele possui mais afeição por você ou outro membro da família, se sim, pode ser que ele seja um animal familiar, mas se ele não for e você quiser garantir que ele seja, por ter afinidade e pela sua personalidade, faça um rito de passagem adequado quando chegar o momento de sua passagem e guarde um elemento do DNA dele de forma consagrada. Ele voltará para a família.

Agora se você teve um animal e não fez o rito adequado quando ele fez a passagem, pode ser que ele volte por ligação kármica, mas pode ser que não, e ainda pode ser que ele seja um animal familiar mesmo assim por um rito que pode ter sido feito em uma vida passada.

Como encontrar um animal familiar?

Provavelmente já tivemos animais familiares em outras vidas, reencontrar com eles depende mais de mérito espiritual do que qualquer outra coisa, mas podemos agregar novos familiares também. Você pode orar pelo seu animal familiar, para que ele venha até você, provavelmente se ele aparecer vai ser um animal perdido, abandonado, ou alguém que te presenteia ou te oferece, mas isto não é regra. Se você quiser adotar um animal esperando encontrar nele um animal familiar, e se for até uma "loja" e comprar um animal lindo e caríssimo com desejos materialistas e superficiais, esqueça, dificilmente será o seu animal familiar, até porque uma pessoa que ainda financia o comércio de animais não deve ter mérito espiritual para encontrar o seu familiar, só por muita misericórdia. Mas você ainda pode adotar um animal, o ideal é que seja um resgatado e que precise de um dono, porque comprando um animal de raça você dá força para estas "fábricas" de animais que brincam de Deus, vá com humildade e aceite o que vier, não espere que ele seja a reencarnação do "cavalo branco, lindo e especial" (embora ele possa ser), faça suas orações e aceite um animal que esteja dentro das possibilidades da sua família, daí em diante é só cuidar dele como um familiar e oferecer vida espiritual a ele, deixando que ele participe dos seus ritos e práticas, e no fim da vida, não esquecer de fazer um rito de passagem adequado.

Por que alguns animais familiares não retornam?

Existem duas possibilidades, uma delas é que o animal já evoluiu para uma condição de espírito humano, isto implica que ele pode retornar para o seio familiar na forma de um parente biológico. Ou, a segunda hipótese é que ele tenha "encantado", utilizei este termo porque não sabia outro o qual usar, mas pelas minhas vivências com animais entendi que alguns deles já são espíritos muito evoluídos e que não precisam ter a experiência humana e por isto seguem por outras formas de evolução, atuando como Animais de Poder em dimensões "fantásticas" e encantadas, e claro, continuam a nos auxiliar desta forma, assumindo por vezes formas de animais que desconhecemos nesta dimensão, como Unicórnios, por exemplo, ou outras formas nunca antes pensadas.


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.