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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Espiritualidade dos Animais: Animais de Poder

Nas tradições Xamânicas Norte-Americanas o Lobo é um dos principais Animais de Poder, relacionado à direção Sul e ao arquétipo da criança interior, assim como o Coiote. 


Os Animais de Poder, também chamados de Animais Aliados são seres espirituais que nos acompanham durante a nossa vida. Como podem saber, em diversas mitologias, senão todas, também existem animais místicos com poderes geralmente extraordinários que acompanhavam os Deuses.

Os animais sempre tiveram um papel muito importante no Xamanismo, pois uma vez que a Natureza foi a nossa primeira concepção de Divindade, à sua fauna por vezes também foram atribuídas características de sacralidade. Quando o homem passou a observar o comportamento animal foi aos poucos percebendo características específicas que ele próprio poderia não possuir, como agilidade, coragem, destreza, e até mesmo fidelidade, astúcia e docilidade. Com esta observação passaram a comungar com partes de determinados animais na intenção de obter suas qualidades (assim como o canibalismo, que foi uma forma de crença na qual alimentando-se do corpo do oponente ganharia-se assim suas qualidades de bom guerreiro), então passaram a não somente alimentar-se da carne animal (aqueles que possuíam a carne em sua dieta) mas também a guardar ritualisticamente peles de animais, garras, dentes, chifres, entre outros.

As primeiras tradições espirituais-religiosas existentes no mundo acredita-se tenham sido em sua maioria animistas, ou seja, acreditavam que todos os seres possuíam uma alma que as animava e desta forma acreditavam comungar com estas almas de seres já falecidos através da representação (encenação) de seu comportamento, vestindo suas peles, chifres, etc, e atuando a fim de trazer suas qualidades para si próprios. Foi daí que surgiu também o culto aos ancestrais, preservando-se seus elementos vitais (cabelos, unhas, dentes, etc), mas também posteriormente suas vestes e acessórios pessoais, guardando na memória seus trejeitos e habilidades pessoais, dando origem então ao costume de incorporação de entidades espirituais guias, que nada mais são do que os ancestrais da humanidade.

Então foi mais ou menos assim que iniciou-se a crença no Animal de Poder, de geração a geração foi-se transmitindo as histórias e suas heranças materiais (os elementos dos animais pertencentes aos anciões de uma família, tribo ou agrupamento), o que fez com que alguns animais fossem considerados seus Animais Totens Familiares (Animal de Poder da Família). As famílias dos índios nativos norte-americanos, por exemplo, esculpiam seus totens em pedra, geralmente. O totem enquanto objeto é o símbolo cultuado por uma família ou tribo, sua etimologia tem origem na palava "dodaim" (aldeia ou agrupamento familiar), ele acaba representando de alguma maneira a história ancestral da família e é uma forma de culto aos Animais de Poder, que também são chamados de Animais Totens (porque de alguma forma ainda acredita-se serem herança de família).

Na atualidade, após o surgimento da Psicologia Junguiana acaba-se por atribuir aos Animais de Poder o conceito de arquétipo do inconsciente coletivo, assim como é atribuído aos Deuses e Deusas das mitologias antigas, o que não deixa de ser uma forma válida e real de se trabalhar com essas energias, auxiliando processos terapêuticos, entretanto em cultos neo-xamânicos e magísticos mais tradicionais ainda se atribui ao Animal de Poder um caráter sacralizado, não equiparado ao das Divindades, mas o de espírito/alma-guia, além disso existe a ideia de Animal Interior que geralmente nas literaturas está contida como também um Animal de Poder, a esta ideia fica mais adequado o conceito de arquétipo de Jung, do que a do Animal de Poder que se entende ser uma entidade externa ao magista.

Segundo a maioria das tradições todos temos um Animal Interior que é aquele ao qual mais nos identificamos a nível de personalidade, pelo menos quatro Animais de Poder relacionados aos quatro elementos e/ou quatro direções, outras ainda afirmam a existência de um animal da direção considerada "acima" e da "abaixo" (geralmente os de cima são aves, em alguma tradições diz-se que todos possuem a Águia acima) e os da "direita" e da "esquerda", e ainda há a ideia de um Totem considerado Familiar ou que represente a família toda em sua origem ancestral (ainda podemos encontrar animais nas imagens dos brasões de família dos sobrenomes mais tradicionais). Na maioria das tradições Xamânicas dá-se às quatro direções Animais de Poder guardiões gerais (que não são aliados de uma pessoa específica), os animais variam conforme as tradições por causa da fauna dominante de cada região.

Sendo assim, entendemos que o Animal de Poder é um espírito desencarnado de um animal que passou por uma evolução espiritual ao qual ele se eleva a um nível superior do que o de mero espírito desencarnado, ou seja, sai do ciclo de reencarnações, da roda do Samsara e parte para um reino "encantado" do qual pouco se tem conhecimento ou registro por ter sido transmitido via oral pelos nativos das mais diversas regiões do mundo, mas que pode-se ter acesso por meio do desenvolvimento espiritual, especialmente quando da comunhão com Plantas de Poder, há inclusive a crença de que estas plantas possuem reinos ou dimensões próprios, nos quais seres tais como Animais de Poder relacionados a própria planta enquanto Ser Divino habitam, isto é evidenciado especialmente nas narrativas de Carlos Castañeda.

O Animal de Poder pode se manifestar na vida de uma pessoa através de sonhos, visões (mirações), "incorporação" ou atuação (estes últimos geralmente ocorrem em contextos rituais), a própria presença de determinada espécie animal de forma espontânea e recorrente, ou de seus elementos (penas, ossos, pele, garras, dentes, etc). Por serem de origem ancestral e também pelo fato de existirem para além da tridimensionalidade podem ter características consideradas fantásticas, por exemplo: dragões, fênix, unicórnios, cavalos alados (com asas), entre outros.

Para um contato induzido (não espontâneo) com Animais de Poder, pode-se recorrer à meditações, rituais e jornadas xamânicas com ou sem Plantas de Poder, através de estados alterados de consciência. Também existem oráculos com esta finalidade, eu mesma trabalho com o baralho de animais "Cartas Xamânicas" editado pela Rocco e criado por Jamie Sams e David Carson, e posso dizer que são especialmente exímias ferramentas de cura e autoconhecimento, caso haja algum interesse em agendar um atendimento, entre em contato na minha página do facebook.



Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Espiritualidade dos Animais: Animal Familiar

Animal familiar é aquele que acompanha a família em seu caminho de evolução, reencarnando no âmbito da mesma família para evoluir em conjunto.

Primeiramente, gostaria de dizer que todo animal que cruza o nosso caminho possui algo a nos ensinar, é importante estar atento a tudo o que nos rodeia para observar os sinais da Natureza Divina. Nenhum animal por pequeno que seja deve ser ignorado, nunca duvide da grandeza de um animal pelo seu pequeno porte.


Bem, o que se especula por aí é que o animal familiar é um espírito humano encarnado no corpo de um animal (geralmente doméstico), que escolheu estar ali para auxiliar uma pessoa que irá trabalhar com magia, não vou invalidar o estudo alheio, mas aponto algumas falhas que encontrei nesta linha de pensamento antes de expor o que venho compartilhar:

A primeira questão é que hoje em dia (em tempos pós-inquisitórios) não é tão necessário que as coisas se mantenham tão escondidas, pode ser que num passado remoto quando corríamos risco de ir para a fogueira algo assim pudesse acontecer (?) para preservar as identidades das pessoas, sua segurança, etc. Hoje, pensando bem, seria necessário? Não seria mais fácil este ser encarnar como um amigo, um pai, um mestre que surgirá no caminho do seu tutelado? Pense.

A segunda falha principal é que espírito humano é espírito humano, espírito de cachorro é espírito de cachorro, na verdade, pouco sabemos sobre como funciona a espiritualidade dos animais (a níveis teóricos), fato é que sabemos que os espíritos de animais, especialmente os selvagens, os muito pequenos (como os insetos) e os que vivem em grupo não possuem tanta individualidade como possuímos enquanto humanos, é perceptível nas suas comunicações a longas distâncias seguindo um "macho alfa" por exemplo, estão conectados, já observaram que os pássaros, peixes, etc migram juntos sem "conversarem" um com o outro e combinarem para onde vão? Além disto, é majoritário o consenso entre os estudiosos das ciências espirituais de que existe uma linha evolutiva das espécies terrestres, ou seja, segundo esses estudos, para eu reencarnar como um animal, eu teria que regredir na minha evolução (que supõe-se iniciou como um átomo primordial, que veio a tornar-se célula, bactéria, peixe, réptil e assim por diante até chegar no espírito humano), nem todas as linhas admitem este pensamento da regressão evolutiva, mas as que admitem explicam que você precisa cometer faltas graves para passar por isto, por exemplo: matar animais (segundo a cultura indiana Vaisnava). Bem, expondo tudo isto, imagine a complexidade de um ser que é um espírito humano tendo que se metamorfosear em um espírito de animal (com seu corpo energético, inclusive, etc) para reencarnar no "gatinho preto", parece que algumas leis universais seriam "burladas" para que isto pudesse acontecer, mas eu realmente não duvido de nada.


O que vou compartilhar a seguir  é um ensinamento essencialmente xamânico e me transmite veracidade:

Animal familiar é aquele que acompanha a família em seu caminho de evolução, reencarnando no âmbito da mesma família para evoluir em conjunto.

Quando respeitamos e honramos a morte de um animal como um membro da família, aceitamos este animal como o animal familiar que irá evoluir conosco.

Quando você honra a morte do seu animal e faz o rito de passagem dele como um membro da família é como dizer para o Universo que aceita o "Totó" como animal familiar. É importante, inclusive, manter algum elemento dele (dente, pêlos, unhas, etc) em uma bolsinha de talismãs, um(a) boneco(a) ancestral, ou de qualquer outra forma honrosa de preservar o seu DNA como algo sagrado.

Os animais domésticos podem reencarnar na mesma família por ligações kármicas, isto não o torna ainda assim um animal familiar, o animal familiar integra o Dharma da família, ou seja, a missão, evolui junto.

Então entendemos que como uma criança que fora adotada, apesar de não ter o laço sanguíneo, possui ligação espiritual com a família, assim são os animais, por isto é preciso responsabilidade ao adotar um animal, porque eles são membros da família e sua missão é nos ensinar por sua pureza e simplicidade, e assim como na família humana temos ligações kármicas a acertar, temos também com os animais, e também temos as ligações dhármicas. O Dharma principal de todo ser vivente é evoluir e podemos partilhar desta consciência também com nossos animais domésticos, oferecendo a eles uma vida espiritualizada.

Como identificar se o meu animal é um animal familiar?

Se você não teve nenhum animal nesta vida para ter feito o rito de passagem adequado dele (respeitando seu tempo de morte, inclusive), pode ser que você tenha tido em uma vida passada, se você foi de alguma tradição xamânica ou mística, talvez você tenha feito o rito de passagem do animal, então se você tiver um animal doméstico observe se ele se diferencia dos demais animais, se possui mais sensibilidade espiritual, mais características humanas (porque está evoluindo) e se ele possui mais afeição por você ou outro membro da família, se sim, pode ser que ele seja um animal familiar, mas se ele não for e você quiser garantir que ele seja, por ter afinidade e pela sua personalidade, faça um rito de passagem adequado quando chegar o momento de sua passagem e guarde um elemento do DNA dele de forma consagrada. Ele voltará para a família.

Agora se você teve um animal e não fez o rito adequado quando ele fez a passagem, pode ser que ele volte por ligação kármica, mas pode ser que não, e ainda pode ser que ele seja um animal familiar mesmo assim por um rito que pode ter sido feito em uma vida passada.

Como encontrar um animal familiar?

Provavelmente já tivemos animais familiares em outras vidas, reencontrar com eles depende mais de mérito espiritual do que qualquer outra coisa, mas podemos agregar novos familiares também. Você pode orar pelo seu animal familiar, para que ele venha até você, provavelmente se ele aparecer vai ser um animal perdido, abandonado, ou alguém que te presenteia ou te oferece, mas isto não é regra. Se você quiser adotar um animal esperando encontrar nele um animal familiar, e se for até uma "loja" e comprar um animal lindo e caríssimo com desejos materialistas e superficiais, esqueça, dificilmente será o seu animal familiar, até porque uma pessoa que ainda financia o comércio de animais não deve ter mérito espiritual para encontrar o seu familiar, só por muita misericórdia. Mas você ainda pode adotar um animal, o ideal é que seja um resgatado e que precise de um dono, porque comprando um animal de raça você dá força para estas "fábricas" de animais que brincam de Deus, vá com humildade e aceite o que vier, não espere que ele seja a reencarnação do "cavalo branco, lindo e especial" (embora ele possa ser), faça suas orações e aceite um animal que esteja dentro das possibilidades da sua família, daí em diante é só cuidar dele como um familiar e oferecer vida espiritual a ele, deixando que ele participe dos seus ritos e práticas, e no fim da vida, não esquecer de fazer um rito de passagem adequado.

Por que alguns animais familiares não retornam?

Existem duas possibilidades, uma delas é que o animal já evoluiu para uma condição de espírito humano, isto implica que ele pode retornar para o seio familiar na forma de um parente biológico. Ou, a segunda hipótese é que ele tenha "encantado", utilizei este termo porque não sabia outro o qual usar, mas pelas minhas vivências com animais entendi que alguns deles já são espíritos muito evoluídos e que não precisam ter a experiência humana e por isto seguem por outras formas de evolução, atuando como Animais de Poder em dimensões "fantásticas" e encantadas, e claro, continuam a nos auxiliar desta forma, assumindo por vezes formas de animais que desconhecemos nesta dimensão, como Unicórnios, por exemplo, ou outras formas nunca antes pensadas.


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