domingo, 15 de janeiro de 2017

Umbandaime

Este texto é informativo, para preencher a carência de material que temos hoje sobre Umbandaime e suas variáveis seitas, não possui a pretensão de impor conceitos ou regras, apenas reflete a minha opinião pessoal dentro da minha experiência e estudos, a quem possa servir. Saravá!


Assim como a religião denominada Umbanda é relativamente nova, é também a doutrina do Santo Daime, esta última é ainda um pouco mais recente, igualmente sincrética, mas que difere em muitos e diversos aspectos. No entanto, com o passar do tempo a doutrina do Santo Daime que já se auto proclamava Espírita desde o seu início por Mestre Irineu, passou a “absorver” as práticas Umbandistas a seu culto (em algumas igrejas do Santo Daime e em linhas coligadas, até mesmo nas independentes), dando origem ao então contemporâneo termo Umbandaime, usado de forma genérica para qualificar os rituais que unem a consagração da Sagrada Bebida com práticas Umbandistas e de terreiro, sem que haja ainda uma padronização de culto e de liturgia.

Especula-se ter sido A Barquinha, a primeira religião/seita “daimista” a utilizar-se das práticas mediúnicas voltadas às linhas de Umbanda/Candomblé e Espiritismo, a mesma se mantém intimista com pouco acesso às suas formas de culto e ritual para não frequentadores. Entretanto, existe um bom apanhado de material universitário para estudo não somente d’A Barquinha, mas também da união Daime-Umbanda em geral que você pode encontrar pesquisando no Google.

Nos ritos tradicionais do Santo Daime já existem rituais chamados de “mesa aberta”, ocasião em que é permitida a manifestação mediúnica, chamada popularmente entre os fiéis da religião de “atuação” ou “aparelhamento”, sem necessariamente fundamentar todo o ritual numa gira de terreiro, estes foram adicionados ao culto pela intervenção do sucessor de Mestre Irineu, o Padrinho Sebastião. E posteriormente pela influência de Madrinha Baixinha, como é revelado nas literaturas, implantou-se relativamente dentro da doutrina o ritual que seria chamado de Umbandaime, porém este ritual nunca fora acrescentado nos calendários oficiais pela maioria das igrejas e nem mesmo é dada muita atenção a esta prática, que é até mesmo rejeitada por igrejas mais ortodoxas.

Apesar da ainda tímida inserção no culto, o problema maior se mostra nas chamadas “linhas independentes” ayahuasqueiras, que fazem rituais modernos com o uso da bebida, além da problemática com a própria religião do Santo Daime que vêm se esquecendo do princípio da Caridade Espiritual e cobrando pelos trabalhos a contragosto com o que fora ensinado por seus Mestres precursores, estes novos núcleos que não seguem nenhuma doutrina específica e geralmente se auto denominam Universalistas ou Xamânicos, têm praticado seus rituais com chamadas de Umbanda e cobrado dos visitantes um valor de contribuição para a participação, valor este que varia de R$ 40,00 a R$ 100,00 por pessoa e geralmente são taxativos. Mas Umbanda não “é a manifestação do espírito para a Caridade”, conforme ditou o Caboclo das 7 Encruzilhadas na ocasião da anunciação da Umbanda? Então.

O pior é o fato de que estas igrejas de linhas independentes têm pouca ou nenhuma referência de ritualística e geralmente é dirigida por pessoas que não são sacerdotes de Umbanda e nem iniciados na doutrina do Santo Daime pelo rito de Fardamento. E às vezes têm conhecimentos rasos sobre a prática umbandista, e em alguns casos nem mesmo sobre mediunidade os têm, o que coloca em risco o equilíbrio espiritual dos participantes, especialmente daqueles que possuem mediunidade não desenvolvida ou recém descoberta (experiência própria).

Umbanda não é só chamar os espíritos, aliás, chamar espíritos é algo um tanto perigoso para alguém que não sabe com o que pode estar lidando e/ou não segue preceitos mínimos para realizar o ritual como abstenção de carnes, sexo, álcool, serenar a mente, evitar discussões, etc. Lembrando que é exigido muito mais de um dirigente do que de uma pessoa que está indo pela primeira vez a um ritual, pois este estará no papel de sustentador e condutor de todas as pessoas que podem ou não estarem “limpas” energeticamente (e geralmente não estão), o dirigente precisa de uma firmeza maior, que somente possui aquele que realmente sabe o que está fazendo.

Não é que o dirigente precise ser um santo, mas o que vem ocorrendo nos últimos tempos é uma banalização do papel da autoridade espiritual, em tempos atuais de uma sociedade extremamente sem empatia, em que vemos centenas de violências e desequilíbrios nas pessoas, faz-se necessário uma "apuração" para aquele que deseja servir levando uma casa, um Ponto de Luz, assim como faz-se necessária a existência de doutrina, de certa rigidez até. Existem pessoas capazes de se conduzirem por si próprias? Existem, mas a maioria delas ao menos passou algum tempo aprendendo ou estudando de alguma forma, com alguém que sabia mais em algum lugar, ou mesmo que seja nos livros (com uma mínima experiência prática, pelo menos, né?).

A ansiedade do modo de vida capitalista tem feito com que pessoas despreparadas abram trabalhos espirituais com o intuito principal de ganhar dinheiro ou status com o "modismo Nova Era". Se conduzir a si próprio pode não ser tão difícil, mas e conduzir aos outros? Supondo que você dá conta de você, e quando a sua responsabilidade se estende a um público de 20, 100, 300? Vamos refletir nas motivações, e estudar, e trabalhar, e trabalhar para servir com Amor e não com ansiedade, não com desequilíbrio, não com vaidade... Axé!


Teve alguma dúvida? Em breve haverão mais textos explicando mais profundamente muitos dos conceitos aqui expressados, aguarde, comente sua dúvida (pois pode ser a de outros leitores), ou me envie um e-mail: vandanashakti@hotmail.com.

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